Alice Yura, artista de Mato Grosso do Sul, traz uma proposta inovadora para sua exposição "Um ato fotográfico", que está em exibição na Pinacoteca de São Paulo. Desde a abertura da mostra, a artista ficou a maior parte do tempo no estúdio, sendo fotografada pelo público. Para Alice, a experiência gerou uma série de lembranças, especialmente por ser uma das primeiras instituições de arte que conheceu quando chegou a São Paulo, vindo de Campo Grande.
A Pinacoteca é palco de uma exposição individual inédita para a artista, curada por Thierry Freitas, que ficará em cartaz até 13 de setembro. Um dos destaques da mostra é um estúdio fotográfico montado no meio da galeria, completo com refletores, cadeiras e luz profissional, disponível para qualquer visitante. Essa ideia reflete o desejo de Alice de que o público não apenas observe, mas também participe ativamente da experiência artística.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
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Alice questiona o acesso a estúdios fotográficos, ressaltando seu impacto social e político. A entrada gratuita aos sábados tem atraído um público diversificado, incluindo pessoas que nunca tiveram a oportunidade de fazer uma foto em um estúdio profissional. Para a artista, esse espaço traz uma carga emocional que vai além de simples instalações fotográficas contemporâneas, remetendo a uma memória coletiva e a uma ritualização do ato de fotografar.
No evento de abertura, uma família inteira utilizou o estúdio para registrar um momento especial. Alice reflete sobre a importância da curadoria e da narrativa nas exposições, destacando a diferença entre a experiência artística em Mato Grosso do Sul e em São Paulo. Ela compartilha um episódio em que perdeu uma oportunidade de edital devido a um erro em seu nome, o que a levou a buscar reconhecimento fora do seu estado.
Sua trajetória ganhou um novo impulso em 2019, quando recebeu uma bolsa de residência no Instituto Pivô, em São Paulo, focada em artistas de fora do eixo Rio-São Paulo. Após a interrupção causada pela pandemia, Alice retornou para Aparecida e, em 2021, foi convidada a atuar como educadora em São Paulo, estabelecendo uma conexão entre os dois locais.
Apesar das oportunidades que o sistema de arte de São Paulo oferece, Alice se esforça para manter suas raízes e identidade. Ela acredita que, embora o ambiente artístico da capital paulista possa abrir portas, é fácil perder a conexão com a própria origem, tornando-se um artista apenas do local. Assim, a artista busca equilibrar sua carreira entre a metrópole e o interior, sem abrir mão de sua identidade e das influências que moldaram seu trabalho.