Na última semana, a prestação de contas da saúde referente a 2024 foi reprovada, levantando suspeitas sobre ajustes financeiros de R$156 milhões. A dívida na Saúde de Campo Grande agora se torna objeto de investigação do Ministério Público do Mato Grosso do Sul, que intensificou sua análise sobre o Fundo Municipal de Saúde ao longo deste ano. No dia 22 de setembro, o Executivo da Capital divulgou a deliberação do Conselho Municipal de Saúde (CMS), que reprovou o Balanço Geral Anual do Fundo Municipal de Saúde (FMS) para o exercício de 2024. Essa reprovação se deve à falta de informações essenciais para a conferência da execução financeira do setor.
Entre as irregularidades apontadas, destacam-se a ausência de cronogramas de desembolso, conciliações e extratos bancários. Além disso, o CMS expressou preocupações em relação a suprimentos financeiros, que totalizam cerca de R$156 milhões. Em decorrência disso, a 76ª Promotoria de Justiça iniciou um procedimento administrativo para investigar a dívida, que ultrapassa R$197 milhões. O Ministério Público decidiu agir após relatos de empresas contratadas pela prefeitura, que informaram dificuldades em receber pelos serviços prestados.
Dentre os serviços em questão, está o fornecimento de medicamentos e insumos hospitalares. Algumas empresas afirmam que estão há mais de 500 dias sem receber, o que pode resultar na descontinuidade do abastecimento nas unidades e postos de saúde. De acordo com dados do Sistema Integrado de Planejamento, Finanças, Contabilidade e Controle (Sicont), entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2026, a saúde municipal acumulou cerca de R$286 milhões em "restos a pagar".
Em adição a essas questões, o CMS já havia identificado em dezembro de 2025 anomalias nas contas da saúde. Uma delas incluiu a retirada de cerca de R$30 milhões do Fundo Municipal de Saúde, que tinha um saldo de R$35 milhões e caiu para R$9 milhões em um período de 60 dias. Outra irregularidade notificada envolveu a abertura de uma nova conta sem devida oficialização ou comunicação ao público, realizada logo após a queda abrupta do saldo do fundo, sem qualquer ato administrativo formal registrado junto ao CMS.
