A eleição presidencial no Peru permanece envolta em incertezas nesta segunda-feira (8). Com pouco mais de 90% das urnas contabilizadas, a candidata de direita, Keiko Fujimori, alcança 50,4% dos votos, enquanto seu oponente de esquerda, Roberto Sánchez, registra 49,6%. A diferença entre os candidatos é inferior a um ponto percentual, o que impede a declaração de um vencedor neste momento.
A vantagem de Fujimori pode diminuir à medida que os resultados das áreas rurais, onde Sánchez tem um desempenho mais forte, sejam contabilizados. Em suas declarações, Keiko, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, afirmou: “Por enquanto, não há vencedor. Os próximos dias serão longos.” A atual disputa reflete uma crise política crônica que afeta o país, que já viu a troca de oito presidentes desde 2016.
O pleito também evidencia a divisão social no Peru, com o litoral apoiando majoritariamente Keiko Fujimori, enquanto o sul rural e indígena dos Andes se alinha a Roberto Sánchez. O debate eleitoral foi dominado por questões de segurança pública, especialmente em Lima, que projeta uma taxa de 23 homicídios por 100 mil habitantes para 2025, um aumento significativo em comparação aos últimos cinco anos. Keiko prometeu a mobilização do Exército para auxiliar a polícia e a deportação de imigrantes condenados.
Por outro lado, Roberto Sánchez, que utiliza o chapéu camponês como símbolo de sua campanha, propõe reformas nas instituições e no fortalecimento do Judiciário, além de uma reestruturação policial. Ele orientou seus apoiadores a “aguardarem atentamente” pelos resultados finais da votação.
Mais de 27 milhões de peruanos compareceram às urnas em um processo obrigatório, que, apesar da polarização, ocorreu sem grandes incidentes. Contudo, a baixa representatividade é motivo de preocupação, pois a soma dos votos dos dois candidatos no primeiro turno não ultrapassou 30%.
O analista Paulo Vilca, do Instituto de Estudos Peruanos (IEP), comentou que, independentemente do vencedor, a divisão entre os eleitores será um desafio: “Quem quer que vença terá metade do país contra si.” Keiko Fujimori, com 51 anos, concorre à presidência pela quarta vez e defende o legado econômico de seu pai, Alberto Fujimori, que foi presidente de 1990 a 2000, apesar de suas condenações por corrupção e crimes contra a humanidade.
