Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro, tem encontrado obstáculos significativos para fortalecer seus palanques na Região Nordeste, considerada uma das maiores dificuldades eleitorais em sua trajetória às vésperas das eleições presidenciais. Em 2022, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) superou Jair Bolsonaro (PL) na região com uma diferença de 12,6 milhões de votos, contrastando com a vitória geral do petista, que foi de 2,13 milhões.
Atualmente, em cinco dos nove estados nordestinos, Flávio ainda não possui candidatos próprios ou aliados firmados. Em Alagoas, por exemplo, o ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, deixou o PL para se filiar ao PSDB, buscando evitar a disputa entre Flávio e Lula. Caldas enfrentará o ex-ministro dos Transportes e senador Renan Filho (MDB), que contará com o apoio do ex-presidente Lula.
Na Bahia, que é o quarto maior colégio eleitoral do Brasil, a situação também é desafiadora. O atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), já firmou seu palanque ao lado de Lula. Enquanto isso, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), que foi apoiado por Jair Bolsonaro em eleições anteriores, anunciou que não pretende apoiar Flávio em sua candidatura presidencial neste momento, priorizando a disputa estadual.
O cenário no Ceará é o mais complicado, evidenciando conflitos internos dentro do PL. Flávio e lideranças da legenda, incluindo o presidente nacional Valdemar Costa Neto, buscam apoiar o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) em vez de lançar uma candidatura própria. No entanto, a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, discorda dessa estratégia e defende a necessidade de uma candidatura própria no estado.
Por outro lado, a situação em Pernambuco se mostra ainda mais complexa. Os principais concorrentes na disputa pelo governo, a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito de Recife, João Campos (PSB), expressaram interesse em contar com o apoio de Lula ou, pelo menos, não desconsiderar sua influência. Isso leva o PL a considerar a possibilidade de lançar uma candidatura própria ao governo ou ao Senado para garantir um palanque para Flávio.
Em contrapartida, Flávio Bolsonaro obteve sucesso em estabelecer palanques mais sólidos Na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Na Paraíba, o senador Efraim Filho deixou o União Brasil para se unir ao PL, com o intuito de apoiar Flávio nas eleições estaduais. No Rio Grande do Norte, o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, também migrou do Republicanos para o PL, sendo a aposta para romper com a sequência de governadores do PT no estado.
