O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), expressou na última terça-feira seu descontentamento em relação às críticas que recebe, afirmando estar "cansado" de ser visto como responsável por desestabilizar as contas públicas do Brasil. Durante sua fala, Alcolumbre indicou que pode pautar a PEC 14/2021, que estabelece regras de aposentadoria diferenciada para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.
A proposta, que já passou pela Câmara dos Deputados em outubro de 2025, recebeu aprovação unânime da Comissão de Constituição e Justiça do Senado em 10 de junho. Alcolumbre mencionou que a matéria possui apoio formal de 68 senadores, um número que é considerado suficiente para pressionar pela sua votação em plenário.
Durante seu discurso, Alcolumbre revelou que recebeu estudos da Confederação Nacional de Municípios e do Ministério da Previdência que indicam possíveis impactos financeiros significativos decorrentes da proposta. Segundo os dados apresentados, a PEC poderia acarretar um impacto de até R$ 69 bilhões e também elevar as despesas previdenciárias em bilhões ao longo da próxima década.
Embora tenha sido alertado sobre as consequências financeiras, Alcolumbre afirmou que não se sente disposto a arcar sozinho com a responsabilidade política de barrar a proposta. "É impossível um Presidente do Senado Federal ser o único responsável por prejudicar a vida de 400 mil agentes comunitários de saúde e agentes de endemias", destacou.
Sua manifestação ocorre em um contexto de crescente pressão sobre o Senado, em meio à análise de diversos projetos que têm impacto fiscal relevante e que são frequentemente rotulados como "pautas-bomba" pelo mercado e membros do governo. Nos últimos meses, a Casa já aprovou diversas medidas que aumentam os gastos obrigatórios ou reduzem a arrecadação da União, intensificando a tensão entre o Congresso e a equipe econômica.
A PEC que trata dos agentes de saúde passou a ser incluída nessa lista de propostas de impacto fiscal após as estimativas apresentadas por entidades municipalistas e pelo Ministério da Previdência. Alcolumbre concluiu afirmando que "o Senado Federal não vai levar a culpa de todos os problemas do nosso país."
