Copom joga ‘água fria’ na espera por corte em janeiro e cita incertezas à frente

O Copom manteve a Selic em 15%, desapontando o mercado que esperava um corte em janeiro, citando elevadas incertezas para a inflação.
Copom joga 'água fria' na espera por corte em janeiro e cita incertezas à frente

Comitê de Política Monetária mantém Selic em 15%, frustrando expectativas de início de afrouxamento monetário e reforçando cautela diante de riscos inflacionários.

O Copom manteve a Selic em 15%, desapontando o mercado que esperava um corte em janeiro, citando elevadas incertezas para a inflação.

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (10), manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano. A decisão, embora não surpreendente, foi acompanhada de um comunicado que jogou “água fria” nas expectativas de parte do mercado que projetava o início do ciclo de cortes já na próxima reunião, agendada para 27 e 28 de janeiro.

No comunicado, o Copom reafirmou a necessidade de “cautela” e a manutenção da estratégia de juros altos “por período bastante prolongado” para assegurar a convergência da inflação à meta. O Comitê destacou a persistência de riscos inflacionários, como a desancoragem das expectativas, a resiliência da inflação de serviços e a conjunção das políticas econômicas interna e externa, que exigem uma política monetária “significativamente contracionista”.

Economistas analisaram o tom do comunicado. Danilo Passos, da WHG, interpretou a repetição da mensagem de “higher for longer” como “ligeiramente hawkish”, por não preparar o terreno para o afrouxamento. Leonardo Costa, do ASA, viu um comunicado “neutro para levemente hawkish”, com potencial para esvaziar a aposta de corte em janeiro. José Márcio Camargo, da Genial Investimentos, apontou nuances importantes, como a substituição de “suficiente” por “adequada” para descrever o patamar da Selic.

Impacto e Perspectivas do Mercado

A manutenção da Selic no patamar atual gerou críticas por parte do setor produtivo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) manifestaram apreensão, argumentando que os juros elevados inibem investimentos, encarecem o crédito e prejudicam a competitividade e o crescimento econômico.

Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, ressaltou o encarecimento de insumos importados para produtores rurais.

A maioria das instituições financeiras, como XP, ASA, WHG, Armor Capital, SulAmérica Investimentos, Inter Asset e Daycoval, agora projeta o início do ciclo de cortes para março, com reduções de 50 pontos-base por reunião. Entretanto, há visões mais conservadoras, como a de Étore Sanchez, da Ativa Investimentos, que prevê o afrouxamento apenas em abril.

Analistas da Warren sugerem que a falta de sinalização explícita pode indicar que o próprio Comitê ainda não tomou uma decisão definitiva para janeiro, considerando a transição de diretores.

Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, projeta corte em janeiro, mas condiciona a uma evolução positiva do cenário. Ela adverte que o risco político-fiscal, com medidas de aumento de gastos e expansão de crédito, pode reaquecer a demanda e adiar o início dos cortes de juros, mantendo a inflação acima da meta e prolongando o aperto monetário.

A taxa de juro real, mesmo com os cortes esperados, ainda ficaria acima do nível neutro, refletindo os desafios fiscais do país.