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Casos de síndromes respiratórias em Campo Grande aumentam quase 97% após onda de frio

A incidência de síndromes respiratórias em Campo Grande teve um aumento expressivo de 96,7% nas últimas semanas, superando as expectativas do governo municipal. O crescimento, observado após uma frente fria intensa, levou a um aumento nas internações e óbitos relacionados à condição.
UPA em Campo Grande — Foto: UPA em Campo Grande (Henrique Arakaki, Jornal Midiam
UPA em Campo Grande — Foto: UPA em Campo Grande (Henrique Arakaki, Jornal Midiam

O recente aumento significativo nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Campo Grande confirmou os alertas dados pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) após a intensa onda de frio que afetou a região em maio. Os registros de SRAG saltaram de 60 para 118, representando um incremento de 96,7% apenas na transição da 20ª para a 21ª semana epidemiológica.

Além do crescimento nos casos, as mortes relacionadas à SRAG também aumentaram, subindo de cinco para 11, o que corresponde a um aumento alarmante de 120%. A onda de frio, considerada a mais severa do ano, também resultou em três mortes por hipotermia, evidenciando os riscos associados a condições climáticas extremas.

Informações do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) indicam que esse crescimento nos casos ocorreu aproximadamente duas semanas após um notável declínio nas temperaturas, que foi observado nas semanas epidemiológicas 18 e 19, quando foram registrados 88 e 84 casos, respectivamente. Essa elevação dos números já havia sido prevista pela Sesau, que alertou sobre o atraso no impacto das baixas temperaturas nos atendimentos a doenças respiratórias.

No dia 12 de maio, a secretaria havia enfatizado que os impactos das baixas temperaturas nos casos de doenças respiratórias não seriam imediatos. O tempo de incubação e a evolução dos vírus respiratórios indicam que a demanda por atendimento tende a aumentar entre uma e duas semanas após os episódios de frio intenso.

A secretária municipal de Saúde, Veruska Lahdo, confirmou que o aumento no número de casos era esperado pelas equipes responsáveis pelo monitoramento da saúde pública. "Houve um aumento na procura de pessoas com sintomas leves nas nossas UPAs e CRSs, que passaram de 5.200 para 6.300 atendimentos", declarou. Embora a 22ª semana epidemiológica tenha apresentado uma redução para 83 notificações, os números ainda permanecem acima da média anterior à onda de frio.

Além do aumento de casos, Campo Grande registrou 13 mortes de crianças com idade de até 9 anos por SRAG em 2026. Dentre essas, cinco vítimas tinham menos de um ano, quatro estavam na faixa etária de 1 a 4 anos e outras quatro tinham entre 5 e 9 anos. Também foram contabilizados três óbitos entre adolescentes com idade de 10 a 19 anos. Entre os adultos, a maior concentração de mortes ocorreu na faixa dos 50 a 59 anos, com um total de dez óbitos.