A Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul (PMA) efetuou a captura de uma onça-pintada em Corumbá, município localizado a cerca de 420 quilômetros de Campo Grande. O animal estava associado a ataques a animais domésticos na área urbana. A ação ocorreu na noite do último sábado (2) e envolveu a colaboração do Exército Brasileiro, da Fundação do Meio Ambiente do Pantanal, do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), do Instituto de Reprodução para Conservação (Reprocon) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), representado pelo médico-veterinário Diego Viana.
Para realizar a captura, a PMA instalou uma gaiola de contenção equipada com iscas, seguindo protocolos específicos para garantir a segurança do felino. Após a captura, a onça passou por exames clínicos, que não revelaram alterações em sua saúde. O próximo passo será a reintrodução do animal na natureza, com o suporte do Exército Brasileiro. Essa operação se arrastava desde o final de abril, organizada pelo grupo técnico Onças Urbanas Corumá-Ladário.
As autoridades têm monitorado as aparições de onças-pintadas na região do Pantanal desde a primeira visita registrada do animal ao Mirante da Capivara, há mais de um ano. Esse local foi alvo de ações preventivas e monitoramento com armadilhas fotográficas. Um dos episódios mais preocupantes ocorreu no dia 22 de abril, quando a onça atacou e matou uma cadela chamada Ana em Corumbá. O ataque aconteceu por volta das 3h30 em uma residência situada na rua Marechal Floriano, próxima ao Mirante da Capivara.
Claudia Helena Pereira Duarte, filha da proprietária da casa, relatou que acordou com barulhos e testemunhou o momento em que a cadela lutava contra a onça na varanda. "Acordei com o barulho, fui até a sala e, ao abrir a janela da porta que dá acesso à varanda, vi a minha cachorra lutando com a onça. Comecei a gritar e chamar minha mãe. Foi quando o animal soltou a ‘Ana’, pulou o muro, olhou para trás por alguns segundos e seguiu em direção à rua e à praça do Mirante", contou a moradora.
A mordida no pescoço foi fatal para a cadela, e a família fez a limpeza do local e enterrou o animal ainda durante a madrugada, permanecendo dentro da casa por receio de novos ataques. Clara da Silva Pereira Duarte, dona da residência, expressou preocupação com a frequência das aparições da onça. "Ela sempre aparece, mas não tivemos retorno das autoridades. Já cansei de pedir providências. Parece que só vão fazer algo quando acontecer o pior, como um ataque a uma pessoa", desabafou.
Imagens de câmeras de segurança registraram a presença da onça no quintal na madrugada de segunda-feira (20) às 3h52, perto do local onde a cadela costumava dormir. O ataque que resultou na morte de Ana não foi capturado pelas câmeras.
