ANUNCIE AQUI TOPO

Aumento de Reclamações sobre Diálise em Mato Grosso do Sul Alcança Níveis Alarmantes

Dados da Anvisa mostram que 80% das reclamações sobre serviços de saúde em Mato Grosso do Sul envolvem clínicas de diálise. O número de registros aumentou 370,9% entre 2023 e 2024, levantando preocupações sobre a qualidade do atendimento em hemodiálise na região.
6a135119c6d5f

Entre 2014 e 2023, as notificações relacionadas à assistência à saúde registradas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) revelam um panorama preocupante no estado de Mato Grosso do Sul. Dentre as 6.241 ocorrências notificadas, mais da metade, totalizando 3.670 reclamações, refere-se a serviços prestados por clínicas de diálise. O crescimento no número de registros é alarmante, especialmente entre 2024 e 2026, quando as queixas saltaram de 358 em 2023 para 1.686 em 2024, resultando em um aumento de 370,9%, ou 4,7 vezes mais do que no ano anterior.

Dados preliminares de 2023 indicam que o número de reclamações já superou os registros de três anos atrás, totalizando 456 ocorrências. Dentre essas, as clínicas de hemodiálise são responsáveis por quase 80% das notificações. A situação gerou investigações por parte da Vigilância Sanitária Estadual, especialmente em relação a uma clínica localizada na Rua Treze de Maio, no bairro São Francisco, em Campo Grande. A unidade, da DaVita, enfrenta queixas de pacientes sobre más condições de atendimento e relatos de mal-estar após sessões de filtragem do sangue.

Em junho do ano passado, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) já havia iniciado uma investigação sigilosa em outro estabelecimento, evidenciando a gravidade da situação. Os dados da Anvisa apontam que a maioria dos pacientes afetados possui idades entre 46 e 75 anos, com a gravidade dos danos geralmente classificada como leve. Os principais problemas identificados envolvem falhas na hemodiálise e eventos adversos que ocorrem após o procedimento.

Os relatos incluem desde problemas com a limpeza e uso inadequado da água nos equipamentos até casos de queda de pressão e outras alterações clínicas nos pacientes. Além disso, as queixas também mencionam falhas na colocação do cateter e na qualidade do atendimento recebido. A maioria dos danos foi detectada por alterações no estado dos pacientes ou por alertas emitidos pelas máquinas de hemodiálise.

Em mais de 2 mil ocorrências, a notificação de erro foi realizada pelo profissional de saúde responsável, destacando a importância da monitorização e da comunicação na prevenção de complicações. A Secretaria de Estado de Saúde foi contatada para oferecer um posicionamento sobre a situação, mas até o momento não houve retorno.