A Justiça rejeitou duas preliminares apresentadas pela defesa do ex-prefeito Alcides Bernal, que visavam interromper a ação penal referente ao homicídio qualificado do auditor fiscal Roberto Carlos Mazzini. A primeira preliminar questionava a legalidade da denúncia com base na alegação de violação de domicílio, mas a Justiça concluiu que não há falta de justa causa, considerando que o imóvel em questão pertence à Caixa Econômica Federal desde 2025 e, posteriormente, foi transferido para a vítima.
Na segunda preliminar, a defesa buscou a consunção do crime de porte ilegal de arma, tentando absorver este delito em um outro. No entanto, o juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri decidiu que tal argumento não se sustenta, uma vez que a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) detalha que Bernal teria "recebido" e "portado" a arma sem a devida autorização legal.
As audiências para ouvir o ex-prefeito e as testemunhas foram agendadas para os dias 26 e 27 de maio, às 14 horas. Na primeira data, somente as testemunhas da acusação serão ouvidas, seguidas das oitivas da defesa e do interrogatório de Bernal no dia seguinte. As audiências ocorrerão presencialmente na 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.
O juiz também notificou a empresa New Line, encarregada do monitoramento de vídeo da residência onde o crime aconteceu, solicitando o envio do contrato de prestação de serviços com Bernal. O homicídio ocorreu no dia 24 de março, e imagens de câmeras de segurança mostram o chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, chegando ao local por volta das 13h, enquanto Roberto Carlos Mazzini o aguardava em sua caminhonete.
Após a chegada do chaveiro, ele foi instruído a abrir a porta principal da casa. As gravações revelam que, enquanto o chaveiro trabalhava, Mazzini se dirigiu à frente do imóvel após ser alertado pela equipe de monitoramento da New Line sobre a invasão. Em seguida, cerca de 17 segundos depois, Bernal entrou na residência e, após dar cinco passos, disparou contra a vítima. Durante o momento em que se aproximou do corpo, ele entrou no ponto cego da câmera, onde teria realizado o segundo disparo, conforme o laudo pericial.
As imagens registraram ainda a fuga do chaveiro, que saiu da casa às 13h45min10s. Bernal foi visto novamente nas filmagens guardando a arma na cintura e deixando a residência. Ao sair, ele chamou a equipe da New Line, que estava situada em frente ao local do crime, e, após utilizar o celular, abandonou a cena. A investigação policial se concentrou em determinar o momento em que Bernal efetivamente disparou o segundo tiro, uma vez que a testemunha principal indicou que isso ocorreu após sua saída do local.
