Ao menos desde 2017, diversos pesquisadores brasileiros têm alertado sobre os riscos ambientais com relação à perfuração para óleo e gás na Bacia da Foz do Amazonas. Esses riscos vêm da combinação da complexidade da operação em si com a complexidade da dinâmica marinha e costeira da região e sua sensibilidade ambiental.
A distância da costa e a grande profundidade da perfuração atual no bloco FZA-M-59, recentemente licenciada para perfuração pelo IBAMA, foram usados como argumentos para minimizar riscos ambientais. No entanto, essas características adicionam complexidade na perfuração em águas chamadas ultraprofundas.
O recente acidente, com vazamento de aproximadamente 18 mil litros de fluido de perfuração menos de dois meses após o início das operações, é um lembrete poderoso dos riscos. Embora o acidente em si seja considerado de pequenas dimensões e de baixo dano ambiental, fica evidente que acidentes podem ocorrer, e o risco de dano ambiental precisa estar sempre em nossos radares.
O acidente na Foz do Amazonas ocorreu a cerca de 2.700 metros e já próximo ao assoalho marinho, que no local da perfuração fica a quase 3 mil metros de profundidade. A falha mecânica/hidráulica teria ocorrido pelas pressões envolvidas no processo.
