Forças Armadas definem rumo da transição política na Venezuela

Forças Armadas definem rumo da transição política na Venezuela

As Forças Armadas da Venezuela devem ser um dos principais fatores de definição do rumo da transição política do país após a captura do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por forças dos Estados Unidos. Horas após a operação americana, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, confirmou que as Forças Armadas reconheceram Delcy Rodríguez, então vice de Maduro, como nova chefe do Executivo interino. A declaração consolidou o alinhamento institucional do Exército venezuelano ao núcleo do chavismo remanescente, mesmo após a retirada de Maduro do poder. A oposição venezuelana tentou pressionar os militares para que apoiassem uma transição democrática. O líder opositor Edmundo González Urrutia publicou um vídeo nas redes sociais onde reivindicou publicamente sua legitimidade como presidente eleito e pediu que os militares venezuelanas reconhecessem o mandato concedido a ele nas eleições de 28 de julho de 2024, fraudadas por Maduro. Eduardo Galvão, professor de Políticas Públicas do Ibmec, afirmou que as Forças Armadas sempre foram o verdadeiro eixo de sustentação do regime chavista e que, com a queda do ditador Maduro, a questão central passou a ser a redefinição dessa lealdade. O professor lembrou que a captura de Maduro pelos EUA não significa, automaticamente, o colapso do chavismo. Para Galvão, se houver sinais claros de redução de riscos, os militares venezuelanos podem considerar apoiar uma transição democrática pactuada. Caso contrário, alertou, se o ambiente apoiado pelos opositores for de punição indiscriminada e incerteza, a tendência é o fechamento e a resistência, ou seja, a manutenção do apoio militar ao atual arranjo de poder chavista.

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