O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, declarou na segunda-feira (13) que vai interromper todos os diálogos em andamento entre os grupos armados e o governo de Gustavo Petro, que foi o primeiro governante de esquerda do país. Em uma postagem nas redes sociais, Espriella afirmou: “Acaba-se o comissário para a paz porque não haverá mais processos de falsa paz no meu governo.”
Entre as mudanças que pretende implementar, ele anunciou a extinção da assessoria presidencial para a paz, justificando que as negociações feitas anteriormente não conseguiram desarmar as potentes facções armadas. O novo presidente ressaltou que o foco de sua administração será a segurança da população e o desmantelamento do sistema de impunidade, o qual promete eliminar a partir de sua posse, marcada para 7 de agosto.
Recentemente, De la Espriella havia dado um ultimato de um mês para que os grupos armados ilegais se entregassem à Justiça, afirmando que não faria “concessões inaceitáveis”, em alusão às políticas do governo de Gustavo Petro voltadas para o desarmamento de guerrilhas e organizações narcotraficantes.
A extinção da assessoria para a paz faz parte de um plano mais amplo de eliminar mais de 200 cargos na Presidência, uma medida que será implementada assim que ele assumir seu mandato de quatro anos. De la Espriella também planeja uma reestruturação na sede da Presidência, que, segundo ele, resultará em uma economia de 10 bilhões de pesos (US$ 3,1 milhões). Algumas funções serão transferidas para os ministérios do Interior e da Defesa.
Desde o período de campanha, o presidente eleito expressou a intenção de extinguir a Jurisdição Especial para a Paz (JEP), que considera um “tribunal de vingança” que emite sentenças com “assimetria”. A JEP foi estabelecida pelo acordo de paz de 2016, que resultou no desarmamento da guerrilha das FARC, e é responsável por julgar as violações mais graves de direitos humanos cometidas durante o conflito que durou meio século.
