Nos últimos meses, motoristas têm enfrentado problemas devido ao grande número de buracos nas ruas de Campo Grande. A administração municipal aponta a escassez de recursos como uma das razões para a dificuldade em realizar serviços de tapa-buracos. Parte dessa falta de dinheiro pode ser atribuída à diminuição dos repasses de ICMS do Governo do Estado à prefeitura.
No primeiro semestre do ano passado, o ICMS gerou R$ 261,1 milhões para os cofres municipais. Em comparação, no mesmo período deste ano, os repasses alcançaram R$ 261,7 milhões. Embora tenha havido um aumento nominal de R$ 600 mil, a inflação oficial de 4,64% nos últimos 12 meses resultou em uma perda de aproximadamente R$ 11,5 milhões em ICMS para a cidade. Esse montante seria suficiente para cobrir os custos de tapa-buracos por dois meses, considerando que o gasto mensal médio é de R$ 6 milhões.
Além disso, a comparação entre os primeiros semestres de 2024 e 2025 revela que os repasses se mantiveram congelados, algo inesperado uma vez que no ano anterior houve um aumento de 9,6%. Apesar da diminuição nos repasses estaduais, a prefeita Adriane Lopes (PP) não deve apresentar queixas em relação ao desempenho financeiro da prefeitura, uma vez que outras fontes de receita importantes apresentaram crescimento.
Os dados disponíveis mostram que as receitas totais no primeiro semestre deste ano aumentaram em 8,6%, quase dobrando a inflação. Elas passaram de R$ 3,072 bilhões para R$ 3,337 bilhões, resultando em um acréscimo de R$ 265 milhões nos cofres municipais em relação ao ano anterior. Isso representa um incremento mensal de R$ 44 milhões, sendo que o custo mensal para os serviços de tapa-buracos é de apenas R$ 6 milhões.
A mudança na cobrança do IPTU também contribuiu para o aumento das receitas, já que um maior número de contribuintes está optando pelo pagamento parcelado. O desconto para pagamento à vista foi reduzido de 20% para 10%, e entre março e junho, o IPTU rendeu em média R$ 15 milhões a mais que no mesmo período do ano passado.
No que se refere ao Imposto Sobre Serviços (ISS), a arrecadação teve um aumento ainda mais significativo, de 14,1%. No primeiro semestre do ano passado, o montante foi de R$ 326,4 milhões, enquanto agora chegou a R$ 372,6 milhões, resultando em um acréscimo nominal de R$ 46,4 milhões. Embora a prefeita tenha razões para estar insatisfeita com o congelamento dos repasses do Governo Riedel, isso não se aplica às transferências do Governo Lula.
