A eliminação precoce de Brasil, Alemanha e Itália na Copa do Mundo marca um momento inédito na história do torneio. As três seleções, que juntas conquistaram 13 títulos, ficaram de fora das quartas de final pela primeira vez desde a primeira edição, em 1930. A Itália, por sua vez, não conseguiu se classificar, o que representa a terceira vez consecutiva sem presença na fase final do campeonato. Esse cenário revela uma alteração significativa no equilíbrio do futebol mundial.
A situação levanta questionamentos sobre a verdadeira natureza da crise. Estamos diante de um processo de decadência irreversível ou de uma fase de transição dolorosa? Embora as seleções ainda estejam entre as dez mais valiosas do mundo, o desempenho recente sugere que os problemas vão além de questões financeiras ou de talento individual. O que realmente está em jogo é uma combinação complexa de fatores que se acumularam ao longo dos anos.
No caso do Brasil, as convocações polêmicas, a falta de planejamento por parte da CBF e a constante mudança de treinadores contribuíram para um desempenho insatisfatório. Mesmo com a presença de treinadores renomados como Carlo Ancelotti, a equipe não conseguiu apresentar resultados convincentes, culminando na pior campanha desde 1990.
A Alemanha, após conquistar o tetra em 2014, viveu a ilusão de que sua hegemonia era eterna. Reformas mal executadas nas categorias de base e a superestimação de uma geração que não rendeu como esperado resultaram em eliminações vexatórias, como a que ocorreu para o Paraguai nos pênaltis na fase de mata-mata. Os erros cometidos em 2018 e 2022 foram repetidos, evidenciando uma falta de aprendizado.
A Itália, por sua vez, enfrenta problemas estruturais mais profundos. A Série A perdeu competitividade e os investimentos nas categorias de base diminuíram, enquanto a federação demonstrou ineficácia em promover a reconstrução. A ausência de classificação em Três Copas seguidas não pode ser atribuída apenas ao azar, mas sim à incompetência institucional.
Embora a falta de competência tenha acelerado o declínio, é importante reconhecer que essa situação já estava em curso há algum tempo. O futebol é impiedoso com aqueles que não se adaptam às mudanças. O futuro dessas seleções será crucial; se não se reinventarem rapidamente, o espaço que deixarem poderá ser permanentemente ocupado por novas potências emergentes.
