O Brasil foi eliminado da Copa do Mundo após uma derrota para a Noruega, onde a seleção teve apenas 34% de posse de bola. Essa cifra representa a menor marca registrada desde 1966, quando começaram os dados estatísticos sobre as Copas. No confronto, o Brasil trocou 329 passes, em contraste com os 680 realizados pelos noruegueses, resultando em um placar de 2 a 1 que quase pareceu generoso diante do desempenho.
A Noruega, classificada em 31º lugar no ranking da Fifa e sem participar de Mundiais nos últimos 28 anos, foi capaz de controlar o jogo, ditar o ritmo e eliminar a seleção brasileira logo em seu primeiro desafio significativo na competição. A equipe norueguesa, que nunca havia vencido um jogo de mata-mata, mostrou que a tradição e o favoritismo não garantem resultados no futebol.
Um momento do jogo ilustra a escolha que pode ter custado a classificação do Brasil. Após uma melhora visível com a entrada de Endrick, que trouxe mais profundidade ao ataque, a seleção optou por colocar em campo Bruno Guimarães, o camisa 10, buscando resolver a situação com talento individual. Essa decisão, embora compreensível, reflete uma tendência de buscar soluções em nomes conhecidos, ao invés de confiar na coletividade que começava a funcionar. Bruno Guimarães já havia perdido um pênalti no primeiro tempo, enquanto Haaland, um dos principais atacantes do mundo, decidiu o jogo para a Noruega.
Esse mesmo reflexo da dependência de estrelas é observado em setores como o jurídico, que também passaram por transformações significativas. Durante anos, o setor jurídico brasileiro confiou na reputação de grandes escritórios e advogados renomados para resolver casos complexos. Contudo, a dinâmica atual, onde as empresas enfrentam litígios em larga escala, exige uma abordagem diferente. A velocidade das demandas e a utilização de ferramentas como automação e inteligência artificial estão mudando a forma como os processos são geridos.
Modernizar a gestão de contencioso de massa implica repensar completamente o fluxo de trabalho, desde a geração de dados até a padronização de teses. A forma como se analisa um litígio, antecipando problemas e medindo resultados, precisa ser revista. A lógica de depender de um “craque” para salvar a situação deve dar lugar a uma estrutura que minimize perdas e mantenha a posse do jogo.
A Noruega, ao não se deixar levar por tradições, mostrou que a simplicidade aliada à organização pode superar equipes que confiam em seu passado. Essa lição é aplicável ao ambiente corporativo, onde a tradição ainda tem seu valor, mas não é mais suficiente para responder a demandas imediatas ou organizar carteiras desordenadas. Aqueles que confundem história com preparação estão sujeitos a surpresas, como o Brasil em Nova Jersey, aprendendo que a camisa pode ser respeitada, mas não é mais capaz de intimidar como antes.
