Na manhã deste sábado (4), o Irã começou oficialmente os seis dias de homenagens ao falecido líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, conforme anunciado pela televisão estatal. Milhares de cidadãos se reuniram no Grande Mosalla, em Teerã, empunhando bandeiras vermelhas, que simbolizam pedidos de vingança. Os presentes entoaram gritos como "morte aos Estados Unidos" e "vingança, vingança", segundo informações de um jornalista da AFP.
Ali Khamenei, que ocupou o cargo de líder supremo desde 1989, sucedendo o fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini, teve um governo marcado pela repressão a movimentos de oposição e protestos populares. Durante seu longo período no poder, o regime de Khamenei reprimiu diversas manifestações, incluindo as de estudantes em 1999, os protestos após as eleições de 2009 e a onda de contestação em 2019.
O aiatolá também foi responsável pela repressão ao movimento “Mulher, Vida, Liberdade”, que surgiu em 2022 após a morte de Mahsa Amini, uma mulher detida por supostamente violar as rígidas regras de vestimenta impostas às mulheres no país.
Khamenei nasceu em uma família humilde e era filho de um imã. Sua trajetória política começou com a oposição ao xá Mohammad Reza Pahlavi, que contava com o apoio dos Estados Unidos. Durante as décadas de 1960 e 1970, ele passou um período significativo na prisão devido à sua militância política. Após a Revolução Islâmica, tornou-se um aliado próximo de Ruhollah Khomeini, que o designou para liderar as orações de sexta-feira em Teerã.
Em 1981, Khamenei foi eleito presidente, após o assassinato de Mohammad Ali Rajai. Inicialmente, não era considerado o sucessor natural de Khomeini. Desde que se tornou líder supremo em 1989, ele trabalhou com seis presidentes eleitos. Embora tenha permitido, em momentos específicos, tentativas limitadas de reformas e aproximação com o Ocidente, sempre manteve apoio aos setores mais conservadores do regime.
