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Kadiwéu defendem posse de área em disputa no Pantanal e rebatem acusações de invasão

Indígenas da etnia Kadiwéu afirmam ter direito sobre área no Pantanal, contestando alegações de produtores rurais sobre invasão. A Terra Indígena Kadiwéu possui 539 mil hectares, reconhecida em 1984.
OCORRENCIA-6-4

Indígenas da etnia Kadiwéu rebatem as alegações de produtores rurais que afirmam ter ocorrido uma nova ocupação em uma fazenda, solicitando a retirada dos povos originários da área. De acordo com representantes do grupo, a região em questão faz parte da Terra Indígena Kadiwéu, que abrange 539 mil hectares e foi a primeira a ser demarcada, homologada e registrada em Mato Grosso do Sul. Os Kadiwéu sustentam que a ocupação é um direito legítimo dos indígenas.

Carlos Fernando, advogado dos proprietários da Fazenda Vila Real, localizada no Pantanal sul-mato-grossense, relatou que aproximadamente dez indígenas ocuparam 4 mil hectares em abril. Ele mencionou que a área é alvo de uma disputa judicial e que a defesa protocolou um pedido de liminar para a retirada dos indígenas, que foi negado pela Justiça. “Vamos recorrer e encaminhar as provas novamente”, declarou Carlos Fernando.

Os Indígenas Kadiwéu, por sua vez, afirmam que sua ocupação é legítima. Edelson Fernandes, um dos representantes da etnia, destacou que a alegação de que a área foi ocupada em maio não é verdadeira, pois os Kadiwéu sempre mantiveram a posse da terra. Ele enfatizou que não houve invasão e que o diálogo para a desocupação foi pacífico, com um prazo suficiente solicitado ao suposto proprietário para retirar seus pertences.

Edelson Fernandes também ressaltou que a Terra Indígena Kadiwéu foi oficialmente reconhecida em 1984 e registrada no Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Porto Murtinho. Essa questão é um ponto de discórdia, já que os indígenas acreditam que a fazenda foi registrada em Corumbá, mas faz parte do território de Porto Murtinho, dentro da Terra Indígena Kadiwéu.

A situação chamou a atenção do Jornal Midiamax, que acionou a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) para obter esclarecimentos sobre o caso e aguarda uma resposta da instituição.