Após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Três Lagoas, a busca por empregos na UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3) tem aumentado entre os trabalhadores da região. Genilson Nascimento de Araújo da Conceição, de 37 anos, passou por uma manhã fria, com temperatura de 13°C, ao se dirigir à Casa do Trabalhador, onde espera conseguir uma vaga na obra, que tem previsão de recomeço em 1º de julho. Até o momento, 60 postos de trabalho foram preenchidos, mas a Engeko Engenharia, responsável pela primeira fase da obra, pretende abrir entre 1,5 mil e 2 mil vagas em diversas funções, incluindo ajudante de obras, pedreiro, carpinteiro, montador de andaime e soldador. Os salários para essas funções variam de R$ 2 mil a R$ 6 mil.
Genilson, que havia se mudado da Bahia para trabalhar na primeira fase da UFN3, viu seus planos frustrados quando a obra foi paralisada. Na cidade, conseguiu outros empregos, mas continua atento ao canteiro de obras da UFN3, localizado às margens da BR-158, a cerca de 15 km do centro de Três Lagoas. Com o anúncio da assinatura dos contratos, ele manifestou interesse em se candidatar a uma vaga como soldador ou montador de andaime na Engeko Engenharia e está se inscrevendo em um curso técnico de mecânica no Senai, com o objetivo de garantir uma ocupação a longo prazo.
A procura por informações sobre oportunidades de trabalho na UFN3 não é recente. Sidney Abreu, diretor da Casa do Trabalhador, relatou que a demanda começou antes mesmo da confirmação oficial da retomada das obras. Desde o ano anterior, quando as empresas estavam realizando levantamentos para participar da concorrência, trabalhadores começaram a entrar em contato em busca de qualificação e informações sobre a UFN3.
Outro trabalhador, Manoel William Bezerra Martins, de 29 anos, também estava na Casa do Trabalhador aguardando atendimento. Natural do Maranhão, ele chegou a Três Lagoas há quase 13 anos, quando a obra da UFN3 ainda estava em andamento. Com o tempo, conseguiu empregos como montador de andaime, mas agora voltou a focar na retomada da usina, especialmente após a visita de Lula à cidade. Manoel obteve uma carta da Casa do Trabalhador para uma vaga na Engeko, com um salário de R$ 3.580 e a expectativa de que a obra dure três anos.
Apesar do otimismo, Manoel expressa preocupação com as oportunidades de crescimento na obra, acreditando que o setor de celulose oferece mais chances de progressão na carreira. Para se destacar, ele tem investido em sua formação, tendo concluído cursos de máquinas pesadas e de soldador. "Querer, a gente quer, mas tem que ir atrás", afirmou, ressaltando a importância da qualificação profissional.
Com a previsão de geração de empregos e a expectativa de que a UFN3 retome suas atividades, a movimentação em busca de cursos e capacitações deve continuar crescendo entre os trabalhadores da região, que veem na obra uma oportunidade de estabilidade e desenvolvimento profissional.
