A Justiça de São Paulo negou mais um pedido da defesa da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, que buscava a possibilidade de cumprir sua pena em regime domiciliar. A solicitação foi fundamentada na argumentação de que Deolane possui residência fixa, é ré primária e é mãe de uma criança de nove anos. No entanto, os magistrados ressaltaram a presença de elementos que a associam a Everton de Souza, identificado nas investigações como operador financeiro do esquema em questão.
Um dos indícios mencionados pelas autoridades foi a apreensão de uma caixa com a inscrição "Doutora Deolane", que continha R$ 7,8 mil em espécie. Além dessa quantia, a Polícia Civil também encontrou na residência da influenciadora dinheiro, joias, relógios de luxo, veículos de alto padrão, aparelhos eletrônicos e documentos que foram incorporados à investigação.
Conforme um documento elaborado pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, Deolane Bezerra teria atuado como “caixa” financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), mantendo supostas ligações diretas com Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, considerado o principal líder da facção criminosa, e Alejandro Herbas Camacho Júnior, irmão de Marcola. As investigações também revelaram movimentações financeiras que seriam incompatíveis com a renda declarada por Deolane, além da utilização de empresas que supostamente teriam sido criadas para ocultar recursos de origem ilícita.
A defesa de Deolane, composta pelos advogados Aury Lopes Jr., Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes, lamentou a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que negou o Habeas Corpus solicitado. Em nota, os advogados afirmaram que a influenciadora é inocente e que buscarão todos os meios legais para contestar a prisão, considerando-a desnecessária, excessiva e midiática.
Deolane Bezerra encontra-se em prisão preventiva desde 21 de maio de 2026, após ser alvo da Operação Vérnix, que foi deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao PCC. Após sua prisão em Barueri, na Grande São Paulo, a influenciadora foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, localizada no interior do estado.
Recentemente, a Justiça também aceitou a denúncia do Ministério Público, transformando Deolane em ré pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Atualmente, ela está custodiada em uma ala separada das demais detentas, em razão de sua profissão de advogada.
