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A Chegada de Taunay em Camapuã: um Marco HISTÓRICO de 1867

Em 1867, o tenente Taunay e sua comitiva chegam a Camapuã, revelando vestígios de uma antiga fazenda e a história da região que, apesar do abandono, guarda marcas de um passado movimentado.
Camapuã visto por Hercules Florence em 1826 — Foto: Camapuã visto por Hercules F
Camapuã visto por Hercules Florence em 1826 — Foto: Camapuã visto por Hercules F

No dia 17 de junho de 1867, o tenente Taunay e sua pequena equipe iniciaram sua jornada de retorno ao Rio de Janeiro, partindo do porto Canuto, localizado na margem esquerda do Aquidauana. Após uma viagem de oito dias, eles chegaram ao que restou do sítio de Camapuã no dia 25 do mesmo mês. Ao avistar os vestígios do local, descrito como uma importante fazenda que já abrigou intensa movimentação, Taunay registrou em suas anotações a imponência das ruínas, que incluem uma grande casa de sobrado e uma igreja considerável, cercadas por vegetação abundante.

Taunay observou que, apesar do abandono, ainda eram visíveis sinais de atividade anterior na região. Estradas que outrora eram utilizadas por caravanas de carros de carga, agora mal se mantinham, sendo corroídas pelas águas. Os produtos que eram transportados para os rios Coxim e Taquari, com destino a Cuiabá, deixaram marcas profundas na paisagem, evidenciando a importância econômica do local no passado.

No relato, o autor menciona a presença de uma população que, até o início do século XX, ainda era significativa. A escravatura, que persistiu sob a administração de Arruda Botelho, acabou por diminuir após seu falecimento, resultando no abandono do local. Os habitantes restantes, compostos em sua maioria por negros e mulatos, acabaram se reunindo em um ponto mais distante, conhecido como Corredor, que oferecia melhores condições de vida, longe das febres que assolavam Camapuã.

O Corredor, além de ser um local mais agradável, tornou-se um ponto de parada para os carreiros que cruzavam a vasta região de Mato Grosso. A escolha por esse novo assentamento se deveu não apenas à saúde, mas também à busca de uma localização mais pitoresca, contrastando com o antigo Camapuã, que era descrito como abafado e cercado de morros.

A história de Camapuã, conforme retratada por Taunay, é um exemplo da evolução das comunidades no interior do Brasil, refletindo as mudanças sociais e econômicas ao longo do tempo. O local que um dia foi um centro de atividade agora se encontra quase deserto, mas ainda carrega em suas ruínas a memória de um tempo de grande importância na história de Mato Grosso.

O relato também se conecta a narrativas mais contemporâneas, como a obra do jornalista Sergio Cruz, que mistura história e ficção em seu ROMANCE sobre um garimpeiro em fuga, trazendo à tona a rica herança cultural da região, que se estende desde o GARIMPO de Rochedo até as influências que se espalham por países como a África do Sul e a França, culminando em eventos que se desenrolam até 1993.