A prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve ser mantida nas próximas semanas, de acordo com a avaliação de interlocutores que analisaram o cenário atual. A situação é considerada menos conturbada em comparação à primeira ocasião em que ele foi submetido a essa medida.
Informações apuradas indicam que a Polícia Federal considera que Bolsonaro está cumprindo as determinações judiciais. Diferentemente da primeira prisão domiciliar, não houve episódios de grande repercussão, como as manifestações que ocorreram em frente à sua residência na ocasião anterior.
O episódio que envolveu a apreensão de uma arma registrada em nome do ex-presidente durante uma blitz de trânsito é tratado com menos gravidade por aqueles que estão envolvidos na investigação. Embora se considere que Bolsonaro deveria ter comunicado a posse do armamento, a situação não é vista como comparável a incidentes mais sérios, como a tentativa de remoção da tornozeleira eletrônica na primeira fase de sua prisão domiciliar.
No âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), a possibilidade de revogar a prisão domiciliar neste momento é analisada com cautela, uma vez que isso poderia trazer desgaste adicional à Corte. Auxiliares do ex-presidente afirmam que ele vem cumprindo as regras estabelecidas, e o momento coincide com a pré-campanha eleitoral, o que poderia gerar instabilidade nas eleições de 2026 e afetar a candidatura de seu filho, Flávio Bolsonaro (PL), ao Palácio do Planalto.
Outro ponto relevante é a presença de relatórios médicos que fundamentaram a concessão da prisão domiciliar. Esses documentos sustentam a permanência de Bolsonaro em casa. Na noite do dia 23, a defesa do ex-presidente protocolou um pedido para prorrogar sua prisão domiciliar humanitária, alegando que suas condições de saúde são permanentes e requerem acompanhamento médico contínuo.
Diferentemente do que ocorreu anteriormente, aliados do ex-presidente têm atuado de maneira menos direta neste caso. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) não solicitou audiências com o ministro Alexandre de Moraes até o momento, o que indica que o assunto está mais pacificado e pode ser conduzido pela defesa do ex-presidente. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também não se envolveu diretamente nas discussões sobre a nova fase da prisão domiciliar.
