A Polícia Federal (PF) iniciou na última sexta-feira a Operação Suffragium, com o intuito de investigar um possível esquema de compra de votos relacionado às eleições municipais de 2024 para a Prefeitura de Campo Grande. A operação inclui a execução de sete mandados de busca e apreensão, que foram expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), e realizados em endereços tanto em Campo Grande quanto em Taquarussu.
De acordo com informações apuradas, a prefeita Adriane Lopes (PP) foi intimada a prestar esclarecimentos durante o desenrolar das investigações. O foco da operação está nas supostas irregularidades vinculadas à campanha que resultou na reeleição de Adriane e da vice-prefeita Camilla Nascimento (sem partido). A PF identificou indícios de movimentações financeiras anômalas, incluindo saques em dinheiro, transferências fracionadas via Pix e o uso de contas de terceiros para a circulação e distribuição de recursos, especialmente em períodos próximos aos dois turnos eleitorais.
Os valores envolvidos nas transações investigadas incluem quantias que poderiam ter sido utilizadas para a compra de votos, configurando possíveis crimes de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral, comumente referidos como caixa dois. O inquérito segue sob sigilo, o que impede a divulgação de detalhes adicionais.
A investigação se divide em quatro núcleos distintos. O primeiro, denominado núcleo de comando político, é formado pelos supostos beneficiários diretos do esquema. Em seguida, há o núcleo de coordenação institucional e financeira, que envolve tanto agentes públicos quanto particulares responsáveis pela administração e distribuição dos recursos. Os investigadores também identificaram um núcleo de intermediadores operacionais, composto por lideranças comunitárias e cabos eleitorais, encarregados de mobilizar os eleitores e organizar atividades de campanha.
Em nota oficial, a prefeita Adriane Lopes manifestou surpresa com a deflagração da operação, mas se mostrou tranquila, uma vez que afirmava que o objeto da investigação já havia sido analisado pelo Poder Judiciário. Segundo ela, a defesa conseguiu decisões favoráveis em instâncias anteriores em Mato Grosso do Sul, além de ter recebido parecer favorável da Procuradoria-Geral no Distrito Federal. Adriane Lopes ressaltou que as diligências realizadas não envolveram órgãos da administração municipal e não estão ligadas a atos da gestão atual.
A prefeita reiterou seu respeito pelas instituições e pelo trabalho dos órgãos de controle e investigação, afirmando que está à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos necessários. Ela encerrou a nota afirmando que a administração municipal permanece focada em suas atividades diárias, buscando melhorias na qualidade de vida da população de Campo Grande.
