O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) dará início a um estudo técnico que visa estabelecer a altura máxima permitida para novos empreendimentos em dois bairros de Campo Grande. A análise abrangerá uma área de 472,3068 hectares, localizada no setor 1 da Zona de Amortecimento do Parque Estadual do Prosa, e incluirá partes dos bairros Carandá Bosque e Jardim Veraneio. A informação foi divulgada durante uma audiência pública realizada nesta sexta-feira (19), que discutiu a verticalização na região.
Este levantamento tem como objetivo fundamental a definição de parâmetros para a verticalização na área, que atualmente carece de limites claros para a altura das edificações. A conclusão do estudo está prevista para setembro deste ano, com possibilidade de prorrogação por mais seis meses. Leonardo Palma, gerente da Unidade de Conservação do Imasul e presidente do Conselho Construtivo do Parque Estadual do Prosa, destacou a importância de avaliar os impactos ambientais antes de estabelecer novas regulamentações.
Palma explicou que o foco do estudo será determinar qual altura de edificações não causará impactos significativos à Unidade de Conservação, considerando aspectos como a circulação de pessoas e a fauna local. Ele ressaltou que a definição da altura deve levar em conta fatores ambientais diversos, como a flora, o solo e os recursos hídricos da área. “Estamos fazendo um estudo da altura dos pavimentos. No setor 1 não há essa regra. Vamos ver qual é a altura que não traz um impacto significativo para dentro da Unidade de Conservação”, disse.
Um dos principais desafios enfrentados na região é a questão da drenagem, que tem sido afetada pela ocupação do entorno. Palma mencionou o exemplo do Parque das Nações Indígenas, que sofre com o assoreamento decorrente da impermeabilização do solo. “Quando impermeabiliza, a água vem com mais força”, alertou, enfatizando a necessidade de uma ocupação planejada e sustentável.
A discussão sobre a verticalização na área não é nova. Em setembro de 2025, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ajuizou uma ação civil pública para prevenir danos ambientais relacionados à falta de regulamentação na Zona de Amortecimento do parque. Em primeira instância, a 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos determinou a suspensão de guias de diretrizes urbanísticas e alvarás para a construção de prédios na região.
Esse impasse afetou 25 obras na área, conforme informações do Sindicato da Habitação de Mato Grosso do Sul (Secovi). As guias para esses empreendimentos poderiam acarretar um prejuízo imobiliário de R$ 6,3 bilhões e a paralisação de 50.157 empregos, sendo 11.603 indiretos e 38.554 diretos. Além disso, já houve iniciativas da comunidade, como abaixo-assinados, visando barrar a construção de novos empreendimentos na região.
