Gonet defendeu que não cabe mais ao STF a análise do caso, ressaltando que a investigação deve prosseguir na primeira instância. Ele destacou que "os fatos remanescentes, ainda não denunciados, não guardam relação imediata com a autoridade detentora de foro especial ou com sua finalidade antidemocrática, mesmo que remotamente possa tê-las favorecido". A PGR argumentou que as investigações pendentes concentram-se em ilícitos contra a administração pública, resultantes de violações de deveres funcionais.
Se o ministro Alexandre de Moraes acatar o pedido da PGR, a investigação passará a ser conduzida por um juiz de primeira instância. Até o momento, 36 pessoas foram indiciadas no caso da Abin paralela, incluindo o pré-candidato ao Senado Carlos Bolsonaro (PL-SC) e o diretor da Abin no governo Lula, Luiz Fernando Corrêa.
A investigação, que foi finalizada pela Polícia Federal há um ano, revelou que a Abin foi utilizada para monitorar adversários políticos da família Bolsonaro durante a gestão de Alexandre Ramagem (PL-RJ) na agência. Entre as autoridades espionadas estavam o ministro Alexandre de Moraes, o então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e o senador Renan Calheiros (MDB-AL).
O relatório da PF concluiu que Jair Bolsonaro e Carlos Bolsonaro estavam entre os responsáveis por determinar quais autoridades seriam alvo de espionagem, configurando uma grave violação dos deveres funcionais da Abin.
