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Indígenas Terena ocupam Fazenda São Sebastião em protesto por demarcação

A ocupação da Fazenda São Sebastião, em Sidrolândia, pelos indígenas Terena é uma resposta à paralisia do processo demarcatório da Terra Indígena Buriti, que se arrasta desde 2013. A comunidade reivindica a área onde, em passado recente, um indígena foi morto por um agente da Polícia Federal.
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Indígenas da etnia Terena iniciaram a ocupação da sede da Fazenda São Sebastião, localizada em Sidrolândia, a aproximadamente 70 quilômetros de Campo Grande, na tarde do último sábado (13). A ação é motivada pela situação de estagnação no processo de demarcação da Terra Indígena Buriti, que permanece sem avanços desde 2013.

Em 2013, o indígena Oziel Gabriel, de 35 anos, foi baleado por um agente da Polícia Federal durante uma reintegração de posse na Fazenda Buriti, um evento que deixou marcas profundas na comunidade. Os representantes da ocupação afirmam que a Fazenda São Sebastião invade os 17,2 mil hectares da referida terra indígena. Eles relatam que essa luta é um legado de seus antepassados e que a retomada da fazenda é uma reivindicação necessária para a comunidade.

Cerca de 2 mil indígenas estão presentes na sede da fazenda e destacam que a permanência no local é uma decisão coletiva. "Não vamos desocupar, mas sim permanecer", afirmaram os representantes da ocupação. Eles também informaram que o Batalhão de Choque foi acionado, indicando a possibilidade de uma reintegração de posse.

A proprietária da fazenda, de 32 anos, relatou nas redes sociais que os indígenas teriam feito funcionários reféns e ateado fogo em uma das pontes que dá acesso à propriedade. Um boletim de ocorrência foi registrado em decorrência da invasão. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) observou que a decisão de ocupar a fazenda reflete a falta de avanços na demarcação nos últimos dez anos, que tem afastado o povo de parte de seu território tradicional.

A história da Fazenda Buriti remonta a 15 de maio de 2013, quando um grupo de indígenas tomou a propriedade, levando a Justiça Federal a determinar a desocupação até 18 de maio. Apesar da ordem, os indígenas ampliaram a ocupação, resultando em um confronto com a Polícia Federal durante a reintegração de posse, que aconteceu em 30 de maio. Oziel Gabriel foi atingido por um disparo e faleceu antes de chegar ao hospital. O Ministério Público Federal (MPF) concluiu que o tiro que causou sua morte partiu de um agente da PF.

Além disso, o MPF denunciou a delegada Juliana Resende Silva de Lima por improbidade administrativa, uma vez que ela analisou o caso, mesmo sendo casada com o delegado Eduardo Jaworski, que participou da operação. Em 2023, a Justiça Federal negou pedidos de indenização de R$ 1 milhão à família de Oziel e de R$ 500 mil por danos morais à comunidade indígena.