A caderneta de poupança mostrou um desempenho positivo em maio de 2026, revertendo a tendência de perdas que se arrastava há meses. Dados do Banco Central revelam que os depósitos na modalidade superaram os saques em R$ 2,6 bilhões, marcando um importante retorno ao azul. Ao longo do mês, os brasileiros aplicaram R$ 368,4 bilhões na poupança, enquanto as retiradas totalizaram R$ 365,8 bilhões. Os rendimentos pagos aos investidores também contribuíram para esse resultado, chegando a R$ 6,2 bilhões, o que fez com que o saldo total das contas ultrapassasse a marca de R$ 1 trilhão.
Este foi o primeiro mês de 2026 com captação líquida positiva para a poupança, após um período de saídas consecutivas de recursos. Em 2023, a retirada líquida acumulada foi de R$ 87,8 bilhões, e em 2024 o saldo negativo atingiu R$ 15,5 bilhões. No ano anterior, as perdas somaram R$ 85,6 bilhões, evidenciando a dificuldade enfrentada pela caderneta nos últimos anos.
Embora a recuperação de maio tenha sido significativa, o cenário geral ainda apresenta desafios. Entre janeiro e maio de 2026, os saques superaram os depósitos em R$ 39,1 bilhões, refletindo uma pressão contínua sobre a modalidade. Especialistas indicam que os juros elevados têm reduzido a atratividade da poupança, levando investidores a buscar opções mais rentáveis no mercado.
A taxa Selic, que se manteve em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, é um dos fatores que impactam diretamente a decisão dos poupadores. Em abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) realizou um corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo a Selic para 14,5% ao ano. Apesar desse corte, a elevação da taxa nos últimos anos continua a afetar a caderneta de poupança.
Além disso, o Banco Central tem enfrentado um cenário internacional complicado, com tensões no Oriente Médio e pressões inflacionárias no Brasil. A Selic é utilizada como ferramenta principal para controlar a inflação, e juros mais altos encarecem o crédito, inibindo o consumo e incentivando aplicações financeiras, o que pode contribuir para a contenção da alta de preços.
Em abril, a inflação oficial do Brasil ficou em 0,67%, sendo influenciada pelo aumento nos preços dos alimentos. No acumulado de 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 4,39%, permanecendo dentro dos limites estabelecidos pelo sistema de metas. O resultado da inflação referente a maio será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na próxima sexta-feira (12).
