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Vila dos Ferroviários enfrenta abandono e vê seu potencial turístico ameaçado

Moradores da Vila dos Ferroviários, em Campo Grande, alertam sobre o descaso do poder público com a infraestrutura da região, que possui grande valor histórico e turístico.
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A Vila dos Ferroviários, localizada na região central de Campo Grande, é um local repleto de história, com suas ruas de pedras e prédios que remontam ao período da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Este conjunto urbano, que ajudou a moldar a Capital de Mato Grosso do Sul, abriga cerca de 170 imóveis que guardam memórias da época em que trabalhadores da ferrovia viviam na região. Entretanto, moradores da área denunciam que a vila, apesar de seu valor histórico, tem sido negligenciada pelo poder público, o que compromete seu potencial turístico.

Entre a Avenida Calógeras e a Rua 14 de Julho, a Vila dos Ferroviários se destaca por sua importância cultural, sendo um possível cartão-postal de Campo Grande, similar a locais icônicos como a Rua do Amparo em Olinda (PE) ou a Rua XV de Novembro em Curitiba (PR). Moradores compartilham que, apesar de suas origens diversas, todos concordam sobre a necessidade de cuidados e investimentos na região. Durante uma visita realizada na sexta-feira (5), residentes da Rua Doutor Ferreira relataram suas experiências e a relação com o Complexo Ferroviário, além de expressarem sua insatisfação com a falta de atenção do governo.

Os problemas enfrentados pelos moradores incluem a degradação da infraestrutura local. As ruas, que são pavimentadas com paralelepípedos, estão repletas de buracos e desníveis, dificultando a circulação. Enquanto alguns defendem a preservação dos paralelepípedos, todos exigem uma manutenção adequada para garantir a acessibilidade e a segurança no local. Entre os residentes, a professora aposentada Marceli Moreira Vicente Teixeira, de 62 anos, que vive na vila há três décadas, destaca o abandono que a região enfrenta. Casada com o ex-maquinista Roberto Mendes Teixeira, de 76 anos, Marceli tem acompanhado as transformações da área desde os anos 1990 e lamenta o esquecimento do patrimônio histórico.

Recentemente, surgiram preocupações adicionais sobre a perda de recursos federais que poderiam ser utilizados para revitalizar a Esplanada Ferroviária. A Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul) confirmou a existência de aproximadamente R$ 40 milhões destinados a um projeto de revitalização, que visa a recuperação e requalificação urbana da área. No entanto, a liberação desses recursos está condicionada à aprovação de um projeto executivo que atenda às exigências do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Caso não haja a aprovação dentro dos prazos estabelecidos, esses recursos poderão ser perdidos.

A reportagem buscou informações atualizadas junto à Superintendência Regional do Iphan em Mato Grosso do Sul sobre o andamento do projeto de revitalização e a situação dos recursos federais que visam a recuperação do Complexo Ferroviário, incluindo os valores vinculados ao Novo PAC. Até o momento, não houve retorno sobre as solicitações feitas, mas o espaço permanece aberto para manifestação.