Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) realizaram um feito inédito ao registrar e monitorar o crescimento de um filhote de mico-leão-preto em seu habitat natural. Este acompanhamento abrange desde o nascimento até os primeiros meses de vida do animal, oferecendo um registro raro de uma das espécies mais ameaçadas de extinção no Brasil.
As imagens que documentam essa observação foram capturadas por meio de 27 armadilhas fotográficas, instaladas em troncos de árvores a alturas que chegam a oito metros. Gabriela Rezende, coordenadora do Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto, destacou que a tecnologia utilizada permite um monitoramento não invasivo, funcionando 24 horas por dia, sem causar estresse aos animais ou interferir na rotina da floresta.
O estudo está sendo realizado na região do Pontal do Paranapanema, interior de São Paulo, onde o IPÊ desenvolve pesquisas há mais de 40 anos, especialmente no Parque Estadual Morro do Diabo. Em 2024, cinco indivíduos foram retirados do parque e soltos em um fragmento florestal isolado com o objetivo de fortalecer a população local e promover a diversidade genética da espécie.
Para a pesquisadora Maria Carolina Manzano, a ocorrência de filhotes é um sinal de sucesso das ações de manejo implementadas. Ela ressaltou que o nascimento de novos indivíduos indica que a população está saudável o suficiente para a reprodução. Em espécies em alto risco de extinção, cada novo nascimento representa uma porcentagem significativa para a sobrevivência da população.
Além do mico-leão-preto, as câmeras também registraram outras espécies que compartilham o mesmo ecossistema, como famílias de gambás e macacos-prego. Os pesquisadores ressaltam que o mico-leão-preto atua como uma “espécie-bandeira”, o que significa que, ao investir em sua conservação e na proteção de seu habitat, todo o ecossistema e as demais espécies dependentes se beneficiam.
Essa espécie chegou a ser considerada extinta na década de 1970, mas os esforços contínuos de conservação têm sido fundamentais para afastar o risco de desaparecimento definitivo. O local exato onde o filhote foi registrado permanece em sigilo, visando a proteção dos animais e do ambiente em que vivem.
