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Mãe denuncia motivação de ódio em assassinato de filha trans em Campo Grande

O assassinato de Nathalia dos Anjos Molina e Ademar Spacino Júnior, ocorrido em Campo Grande, é denunciado pela mãe como um crime de ódio. A família alega que o casal sofria ameaças constantes de um vizinho, levantando questões sobre transfobia.
Mãe da vitíma (Pietra Dorneles, Midiamax) — Foto: Mãe da vitíma (Pietra Dorneles
Mãe da vitíma (Pietra Dorneles, Midiamax) — Foto: Mãe da vitíma (Pietra Dorneles

A mãe de Nathalia dos Anjos Molina, de 33 anos, afirmou que o assassinato da filha e de seu companheiro, Ademar Spacino Júnior, de 38 anos, foi motivado por ódio à identidade de gênero da vítima. O crime ocorreu na manhã desta sexta-feira (5) em um conjunto de quitinetes localizado no bairro Taquarussu, em Campo Grande.

Familiares das vítimas sustentam que o assassinato teve motivação transfóbica, apontando um histórico de ameaças e conflitos entre Nathalia e o autor do crime, um homem de 47 anos. A família do suspeito, no entanto, nega que o ato tenha sido motivado por preconceito, alegando que os desentendimentos eram antigos e relacionados a problemas de vizinhança.

Nathalia e Ademar residiam nos fundos do imóvel onde o suspeito também morava. O homem foi preso algumas horas após o crime por equipes do GOI (Grupo de Operações e Investigações). A mãe de Nathalia relatou que, há meses, tentava convencê-la a deixar a residência devido às constantes ameaças e brigas com os vizinhos, e que o caminhão de mudança chegou ao local justamente no dia do crime.

“Eu estava procurando uma casa para eles. Falei para ela deixar a mãe arrumar outro lugar porque eles já vinham sendo ameaçados há muito tempo. Todo dia ela falava que iam matar meu filho”, declarou a mãe, visivelmente emocionada.

Ela não acredita que o crime seja apenas uma consequência das frequentes brigas entre vizinhos, considerando-o um crime de ódio. “Foi crime de ódio. Eles viviam perseguindo minha filha porque era travesti, como eles falavam. A vida inteira foi assim. Eles já tinham jurado de morte faz tempo”, afirmou.

Uma prima de Nathalia também corroborou a suspeita de motivação criminosa por preconceito, ressaltando que o autor tinha um histórico de conflitos com pessoas LGBTQIA+ que moravam na região. “Ele brigava com a minha sobrinha e também implicava com um amigo homossexual que morava aqui. Para mim, foi crime de ódio, sim”, comentou.