O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou na última quarta-feira (3) uma ampliação das linhas de crédito do Plano Brasil Soberano, que visa apoiar as empresas brasileiras impactadas pelo aumento das tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, e pelos conflitos no Oriente Médio envolvendo Israel e o Irã.
Uma nova portaria, divulgada pelos Ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), ajustou os critérios de elegibilidade para acesso ao crédito, reduzindo o impacto mínimo no faturamento bruto exigido. A partir de agora, empresas que sofreram uma redução de 1% em suas receitas devido a essas tarifas ou conflitos poderão solicitar financiamento, enquanto anteriormente apenas aquelas com impacto de 5% ou mais eram consideradas.
As solicitações de financiamento poderão ser feitas a partir da próxima segunda-feira (8). O BNDES destacou que os setores automotivo, metalúrgico e moveleiro são alguns dos que terão acesso facilitado ao crédito do Plano Brasil Soberano, que se destina a mitigar os efeitos negativos das tarifas e dos conflitos internacionais.
O crédito é voltado para três grupos de empresas, sendo que dois deles foram incluídos na nova portaria. As empresas exportadoras de bens industriais e seus fornecedores que tiveram um faturamento bruto com exportações equivalente a 1% ou mais entre 1º de julho de 2024 e 30 de junho de 2025, e aquelas que atuam na exportação para países do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait e Omã, também poderão acessar os recursos. O faturamento mínimo para estas últimas deve ser apurado entre 1º de janeiro de 2025 e 31 de dezembro de 2025.
Um terceiro grupo, que não foi contemplado pela nova portaria, envolve empresas de setores industriais de média, média-alta ou alta intensidade tecnológica que têm relevância na balança comercial do Brasil.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou que a instituição já recebeu R$ 6,7 bilhões em pedidos de crédito e aprovou R$ 1,6 bilhão até o momento. Em comunicado, o ministro do Desenvolvimento, Marcio Elias Rosa, afirmou que a ação visa proteger o setor produtivo e os empregos no país diante das instabilidades externas.
