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Governo brasileiro critica investigação dos EUA e aponta ingerência externa

O Brasil se manifestou contra a investigação comercial dos Estados Unidos, alegando tentativa de interferência nos assuntos internos. O governo refutou os argumentos do USTR e destacou superávit nas trocas comerciais entre os países.
Foto: Ministério da Fazenda. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
Foto: Ministério da Fazenda. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

O governo brasileiro expressou forte desaprovação em relação à conclusão preliminar da investigação iniciada pelos Estados Unidos, com base na Seção 301 da legislação comercial americana. Em um comunicado divulgado na terça-feira (2), o Palácio do Planalto afirmou que não há justificativa para ações unilaterais contra o Brasil e contestou os argumentos apresentados por Washington, considerando a apuração uma tentativa de ingerência em assuntos internos do país.

A nota do governo brasileiro sugere que a investigação foi impulsionada por articulações da família Bolsonaro com autoridades norte-americanas. O comunicado critica iniciativas que, segundo o Executivo, visam prejudicar os interesses econômicos brasileiros durante as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. A investigação, que teve início em 15 de julho de 2025, é descrita como associada a tentativas de interferência em temas internos, como evidenciado pela recente visita do senador Flávio Bolsonaro a Washington.

A divulgação do comunicado ocorreu após uma reunião de emergência que envolveu o vice-presidente Geraldo Alckmin e diversos ministros, incluindo Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social), Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) e José Guimarães (Relações Institucionais). O embaixador Mauricio Lyrio também participou, representando o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

No documento, o governo ressalta que a investigação não tem fundamento nos dados do comércio bilateral. O Brasil destacou que os Estados Unidos têm registrado um superávit nas trocas comerciais com o país nos últimos anos. Informações apresentadas pelo governo indicam que, entre 2011 e 2025, o saldo positivo dos norte-americanos no comércio de bens e serviços com o Brasil foi de US$ 424,5 bilhões. Somente em 2025, o superávit dos EUA foi de US$ 40,5 bilhões, considerando bens e serviços.

Apesar das críticas à investigação, o governo brasileiro confirmou que as negociações com Washington continuam. Em maio, durante uma reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, foi acordada a continuidade das conversas para tentar encerrar a investigação antes de sua conclusão, prevista para 15 de julho.

O Brasil também manifestou a possibilidade de recorrer aos mecanismos da Lei de Reciprocidade Econômica, caso considere que as ações dos Estados Unidos sejam incompatíveis com as normas do comércio internacional. A Seção 301 é um mecanismo que permite ao governo dos EUA investigar práticas que julgar injustas por outros países, podendo resultar em tarifas ou sanções comerciais.