A proposta de aplicação de tarifa de 25% às exportações brasileiras, anunciada pelos Estados Unidos, foi classificada como "inconsistente" e "ideológica" por aliados do governo Luiz Inácio Lula da Silva. O receio é que a discussão econômica se intensifique no cenário político, especialmente com a proximidade das eleições.
A nova taxação foi divulgada na noite de segunda-feira (1º) e resultou de uma investigação interna que apontou práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano. A medida abrangerá todas as importações do Brasil, exceto aquelas que se enquadram em regras de segurança nacional dos EUA, podendo ser implementada em julho.
Diante da iminência do novo tarifaço, o Palácio do Planalto já iniciou articulações para evitar que a medida entre em vigor. A orientação do presidente Lula é que os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, busquem diálogo com os EUA.
Assessores do governo acreditam que o assunto pode ser utilizado por Lula para enfatizar a importância de proteger interesses nacionais frente a iniciativas consideradas intervencionistas. Essa estratégia visa fortalecer o discurso em defesa da soberania do Brasil, prevenindo um possível desgaste político.
Além disso, a administração deve vincular a tarifa adicional à recente visita do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, que é um dos principais adversários de Lula na corrida presidencial. Interlocutores do Planalto sugerem que o presidente poderá se referir ao pré-candidato do PL como um "lobista contra o Brasil" em suas falas públicas, o que pode intensificar a polarização política em torno do tema.
