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Novas alternativas alimentares: Embrapa desenvolve salmão e caviar veganos em laboratório

Após 30 meses de pesquisa, o Laboratório de Nanobiotecnologia da Embrapa cria alimentos impressos em 3D à base de vegetais, replicando características de salmão, caviar e anéis de lula, com potencial para combater a subnutrição.
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O Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, localizado em Brasília, anunciou o desenvolvimento de protótipos de alimentos à base vegetal que imitam as características do salmão, caviar e anéis de lula. Após um período de 30 meses de pesquisa, as amostras foram criadas utilizando impressoras 3D da Embrapa, apresentando não apenas a forma, mas também o sabor e as propriedades nutricionais similares aos produtos originais.

A bióloga Cínthia Caetano Bonatto, pesquisadora do LNANO, destacou que a equipe se concentrou em avaliar o conteúdo nutricional da carne animal, buscando replicar as proporções de carboidratos, lipídeos e proteínas presentes em tecidos animais. Para isso, foram utilizados ingredientes de origem vegetal que pudessem oferecer quantidades equivalentes de nutrientes.

Os protótipos foram elaborados com tintas alimentícias feitas a partir de proteínas vegetais, farinhas de leguminosas, óleos vegetais e algas, além de nanoingredientes, corantes naturais e espessantes. De acordo com Cínthia Bonatto, muitos dos componentes utilizados são comuns na culinária do dia a dia, tornando-os acessíveis e familiares para o consumidor.

Parte dos insumos utilizados no desenvolvimento dos alimentos foi obtida nos Bancos Ativos de Germoplasma da Embrapa, que preserva um vasto acervo genético de milhares de plantas, micro-organismos e animais. Luciano Paulino da Silva, coordenador de projetos de impressão de alimentos, explicou que essa diversidade genética permite a criação de alimentos vegetais com composições que se aproximam daquelas encontradas nos produtos de origem animal.

A biotecnóloga Gabriela Mendes da Rocha Vaz, também do LNANO, ressaltou que essa tecnologia possibilita o enriquecimento nutricional dos produtos, o que pode ser uma ferramenta importante no combate à fome e à subnutrição. Além disso, a impressão desses alimentos pode contribuir para a redução da pesca predatória e do sofrimento animal, oferecendo alternativas para quem opta por não consumir carne.

Os alimentos desenvolvidos no LNANO passaram por testes de aceitação com voluntários, com a devida autorização de uma comissão de ética. Luciano Paulino da Silva afirmou que os produtos estão expostos na vitrine da Embrapa, mas ainda não há uma data definida para seu lançamento comercial. O projeto contou com o financiamento do Good Food Institute (GFI), uma organização sem fins lucrativos que apoia a pesquisa e desenvolvimento de alimentos à base de plantas.