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Promotoria classifica mortes de mãe e filha como feminicídio em julgamento de réu

Durante o julgamento de João Augusto Borges, a promotora Luciana do Amaral Rabelo argumentou que as mortes de Vanessa Eugênia Medeiros e de sua filha Sophie Eugênia Borges devem ser reconhecidas como feminicídios, devido ao contexto de violência familiar. O crime ocorreu em Campo Grande e chocou a sociedade local.
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A promotora Luciana do Amaral Rabelo apresentou, no julgamento de João Augusto Borges, de 22 anos, a argumentação de que as mortes de Vanessa Eugênia Medeiros e da bebê Sophie Eugênia Borges devem ser consideradas feminicídios, uma vez que ocorreram em um ambiente de violência doméstica e familiar. Durante sua sustentação, Luciana enfatizou que "a Justiça não pode hoje calar o choro da Sophie, porque essa defesa a natureza deu aos bebês." Ela afirmou que não é necessário apresentar um histórico de agressões para que o crime seja classificado como feminicídio, bastando que a situação envolva violência doméstica, independentemente de ser a primeira ocorrência.

O julgamento acontece na 2ª Vara do Tribunal do Júri em Campo Grande, onde João Augusto foi denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) por duplo feminicídio qualificado e por ocultação ou destruição de cadáveres. Durante a audiência, foram exibidos vídeos que mostram a confissão do réu à polícia e o depoimento de um ex-colega. João Augusto, durante todo o processo, manteve-se de costas e com a cabeça baixa.

Luciana também criticou a atitude do réu, que havia comentado com diversos amigos e colegas sobre sua intenção de cometer o crime, sem que ninguém acionasse as autoridades. "Olha como nossa sociedade é tolerante com os homens. Ele falou para uns 10, 12 o que ele ia fazer", ressaltou a promotora. Ela refutou a ideia de que a falta de um histórico de agressões anteriores poderia isentar João Augusto de ser acusado de feminicídio, lembrando que a legislação considera esse crime mesmo em relações familiares ou afetivas.

A promotora destacou que a relação entre Vanessa e João Augusto durou cerca de dois anos e que a motivação para o crime foi a resistência do réu em aceitar as responsabilidades do relacionamento e da paternidade. Sobre Sophie, a promotora afirmou que a criança foi assassinada porque o réu não queria assumir seu papel como pai. Luciana reforçou que, apesar do ressentimento de João pela filha, a dignidade da memória da criança deve ser preservada, lembrando que a legislação prioriza os direitos das crianças.

Outro ponto levantado por Eleudi Narciso, que também atua na acusação, foi a versão de que João Augusto teria agido sob um surto. Eleudi argumentou que essa justificativa não deve ser um salvo-conduto para agressores, observando que um planejamento foi feito para a execução do crime, o que contradiz a ideia de um surto.

O crime ocorreu em 26 de maio de 2025, em Campo Grande. A investigação revelou que Vanessa e Sophie foram mortas durante o horário de almoço de João Augusto. Após cometer os assassinatos, ele teria retornado ao trabalho e, mais tarde, transportado os corpos no porta-malas de seu veículo até uma área de mata no Indubrasil, onde ambos foram incinerados. Os corpos foram encontrados durante a madrugada por um vigilante, que notificou a Polícia Militar.