O julgamento de João Augusto Borges, acusado de assassinar a companheira Vanessa Eugênia Medeiros, de 23 anos, e a filha do casal, Sophie Eugênia, de 10 meses, em Campo Grande, trouxe à tona depoimentos que contribuíram para a elucidação do crime. O caso, ocorrido na tarde de 26 de maio de 2025, expôs uma série de interações que o réu teve com colegas de trabalho que levantaram suspeitas sobre suas intenções.
Welisson, um dos colegas de João, relatou que recebeu várias mensagens e ligações do acusado logo após os assassinatos. Ele mostrou o conteúdo das conversas ao gerente da empresa, que encaminhou as informações ao proprietário e, posteriormente, à polícia. Durante o depoimento, Welisson revelou que João havia mencionado anteriormente, em várias ocasiões, sua intenção de matar tanto Vanessa quanto a filha. Inicialmente, as ameaças não foram levadas a sério pelos colegas.
O funcionário relatou que João chegou a perguntar a ele quem poderia ajudar a cometer um homicídio e, em outra ocasião, afirmou que pretendia matar a esposa porque ela “não deixava fazer nada”. O clima de tensão no ambiente de trabalho foi relatado por Welisson, que afirmou que no dia do crime, João saiu para o almoço por volta das 15h e retornou por volta das 18h, momento em que declarou: “Está feito”. O réu apresentava sinais de luta, com arranhões no pescoço e um dedo machucado.
Após o retorno ao trabalho, João continuou a contatar Welisson, dizendo que “o corpo estava começando a feder” e questionando onde ele estava, numa tentativa de obter ajuda para ocultar os cadáveres. Ignorando os apelos, o colega decidiu relatar os eventos ao gerente da empresa, que tomou as providências necessárias para encaminhar o caso à polícia.
Em seu relato, Welisson também mencionou que ofereceu ajuda para cuidar da bebê após João afirmar que mataria Vanessa e que “a menina iria junto”. Durante o julgamento, João negou as acusações de planejamento e afirmou que não tinha intenção de cometer os crimes. Ele confirmou que retornou ao trabalho após os assassinatos e que, posteriormente, colocou os corpos no carro do pai e ateou fogo em uma área na Rua Desembargador Ernesto Borges.
O crime chocou a comunidade de Campo Grande. A investigação revelou que João estrangulou Vanessa com um golpe de “mata-leão” e, em seguida, estrangulou a filha que estava sobre a cama. Após os homicídios, ele saiu para trabalhar normalmente e, mais tarde, comprou gasolina para incinerar os corpos. Durante uma audiência realizada em agosto do ano anterior, o réu alegou que os crimes foram cometidos após um “acesso de raiva” provocado por uma discussão com Vanessa, admitindo também que já havia pensado em matar a companheira e a filha em outras ocasiões.
