ANUNCIE AQUI TOPO

Congresso Nacional de Zoológicos e Aquários é realizado no Bioparque Pantanal

O Bioparque Pantanal, em Mato Grosso do Sul, recebe pela primeira vez o Congresso da Azab, que reúne especialistas para discutir a conservação das espécies ameaçadas, com ênfase nos peixes continentais do Pantanal.
6a15dd0e3386e

Mato Grosso do Sul sedia, pela primeira vez, o Congresso da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (Azab), que teve início nesta terça-feira (26) no Bioparque Pantanal. O evento, que se estenderá até sexta-feira (30), reúne representantes de zoológicos, aquários, pesquisadores e instituições ambientais de diversas partes do Brasil. A 49ª edição do congresso tem como tema central "Mergulho na conservação – ciência, sociedade e meio ambiente", com foco especial na preservação das espécies ameaçadas do Pantanal, em particular os peixes continentais.

Durante a abertura do congresso, a diretora-geral do Bioparque, Maria Fernanda Balestieri, destacou que a realização do evento era uma meta desde a inauguração do espaço, mencionando que a proposta surgiu há três anos em uma edição anterior do encontro. "Esse encontro representa muito mais do que uma reunião de instituições. Ele simboliza a força de uma rede que trabalha diariamente para proteger espécies, educar pessoas, produzir ciência, promover bem-estar animal e despertar consciência ambiental", afirmou.

Maria Fernanda também enfatizou que o Bioparque foi concebido para transcender o turismo, funcionando como um equipamento público dedicado à educação ambiental, pesquisa, conservação, inclusão, tecnologia e inovação. A diretora mencionou ainda o papel das instituições modernas de conservação em meio às mudanças climáticas e à perda de biodiversidade, ressaltando que essas instituições atuam como centros de conservação e espaços de pesquisa, conectando a sociedade à natureza.

A Presidente da Azab, Mara Marques, explicou que a escolha de Mato Grosso do Sul para sediar o congresso visa aprofundar o debate sobre conservação na região do Pantanal. "O objetivo deste ano é o mergulho da conservação para falar da região. É o primeiro evento na região e estamos dando enfoque às espécies dos peixes continentais", disse. Ao final do congresso, o Bioparque Pantanal passará por uma auditoria internacional de bem-estar animal, etapa essencial para a certificação da instituição.

Os incêndios florestais, conforme relatado por Neiva Guedes, têm gerado impactos duradouros sobre as espécies da região. "Os incêndios são extremamente danosos porque as araras são muito especializadas. Elas dependem de poucos frutos para alimentação e usam basicamente uma árvore para reprodução. Quando essas áreas queimam, elas ficam sem abrigo e sem comida", afirmou Neiva. Ela também mencionou que os efeitos das queimadas vão além do período do fogo, alterando a relação entre as espécies e provocando subnutrição, baixa imunidade e até aumento de indivíduos com nanismo.

Atualmente, o último censo oficial aponta a existência de cerca de 6 mil araras-azuis no país, com dados coletados em 2008. Para atualizar essas informações, o Instituto Arara Azul está organizando uma nova edição do "Big Day Arara Azul", programada para agosto, que contará com a participação popular. Neiva destacou a importância da colaboração da comunidade local: "A gente precisa de muitos olhos e muitos ouvidos. Queremos que moradores do Pantanal, do Cerrado e da Amazônia ajudem a contar as araras, filmando, fotografando e enviando os registros".