Após semanas de especulações sobre a formação de um Super El Niño, a atenção Em Mato Grosso do Sul se volta para o risco de incêndios florestais. A previsão atual não confirma um evento de grande magnitude, mas aponta uma probabilidade superior a 80% de que o fenômeno se desenvolva no segundo semestre de 2026, período em que o Estado geralmente enfrenta a sua fase mais crítica para incêndios. Uma Nota Técnica elaborada por diversas instituições, incluindo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), sugere que o El Niño poderá se estender até, pelo menos, o início de 2027.
A terminologia “Super El Niño” ainda deve ser usada com cautela, pois a intensidade do fenômeno não está claramente definida. As condições atuais indicam a possibilidade de um evento moderado, mas não há confirmação de que será extremo. Esse fenômeno é resultado do aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico equatorial, o que altera a circulação atmosférica e impacta os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do mundo.
Os efeitos do El Niño No Brasil são conhecidos: enquanto o Sul tende a receber mais chuvas, o Norte e Nordeste experimentam uma diminuição na precipitação, acompanhada de aumento nas temperaturas em grande parte do território nacional. Entretanto, a situação Em Mato Grosso do Sul é mais complexa, uma vez que o Centro-Oeste não apresenta uma correlação tão forte com os fenômenos El Niño ou La Niña em comparação a outras áreas do país. Dessa forma, não é correto afirmar que o El Niño causará uma seca generalizada no Estado.
O foco das previsões climáticas Para Mato Grosso do Sul está na sequência dos meses. A Nota Técnica indica uma tendência de temperaturas elevadas na região Centro-Oeste, especialmente no final do inverno, na primavera e no verão. Esse aumento de temperatura, que ocorre ao longo do fim do inverno e na primavera, contribui para a secagem do solo e prioriza a ocorrência de incêndios.
A análise também revela que as anomalias negativas no Pacífico equatorial diminuíram em abril, sendo substituídas por temperaturas próximas da média ou até mais quentes. Isso é um padrão compatível com o início do desenvolvimento do fenômeno. Além disso, foram observadas anomalias positivas em águas submersas do mar, que se estendem por até 300 metros de profundidade no Pacífico equatorial, com temperaturas que superam 2°C em larga escala e regiões que chegam a 4°C. Esse calor armazenado abaixo da superfície atua como um combustível para a evolução do El Niño nos meses seguintes.
Entretanto, as previsões climáticas não são definitivas, e a Nota Técnica ressalta que os impactos podem variar com a interação de outros sistemas climáticos, como as condições do Atlântico Tropical. Este aspecto é crucial para o Brasil e Para Mato Grosso do Sul, uma vez que as chuvas e as temperaturas não são influenciadas apenas pelo Pacífico. O clima é um sistema complexo, onde diversas variáveis interagem de forma dinâmica.
