Pesquisas indicam que os hábitos de sono têm um papel significativo no envelhecimento precoce de diversos órgãos do corpo humano. Um estudo recente revela que tanto dormir pouco quanto dormir em excesso pode acelerar o processo de envelhecimento de órgãos vitais, como o cérebro, coração, pulmão e sistema imunológico, aumentando a suscetibilidade a diversas doenças.
A investigação foi realizada pela Faculdade de Médicos e Cirurgiões Vagelos da Universidade Columbia, com os resultados publicados na revista Nature no dia 13. Os pesquisadores utilizaram 'relógios biológicos', que são dispositivos cada vez mais utilizados para medir a idade biológica de uma pessoa em comparação com sua idade cronológica. Embora essa medição se refira ao envelhecimento do corpo como um todo, os órgãos podem envelhecer em ritmos diferentes.
O professor assistente de radiologia Junhao Wen, que liderou o estudo, ressalta que pesquisas anteriores já haviam estabelecido uma conexão entre a qualidade do sono e o envelhecimento. No entanto, a nova pesquisa evidencia que tanto a privação de sono (menos de 6h) quanto o sono excessivo (mais de 8h) estão associados a um envelhecimento acelerado em praticamente todos os órgãos, enfatizando a interdependência entre o cérebro e o corpo.
Wen explica que o sono desempenha um papel crucial na manutenção da saúde dos órgãos, funcionando como parte de uma rede que integra o cérebro e o corpo, além de influenciar o equilíbrio metabólico e a saúde do sistema imunológico. O grupo de pesquisa está na vanguarda do desenvolvimento de relógios biológicos específicos para órgãos, que podem proporcionar dados mais personalizados aos pacientes.
"Há um grande entusiasmo em torno desses relógios biológicos e sua capacidade de prever doenças e riscos de mortalidade", comenta Wen. Ele também levanta uma questão intrigante: "Podemos vincular os relógios biológicos a um fator de estilo de vida que possa ser modificado a tempo de retardar o envelhecimento?"
Os dados da pesquisa foram coletados de mais de meio milhão de pessoas, avaliando a relação entre a duração do sono informada pelos participantes e suas idades biológicas, utilizando os relógios biológicos para 23 tipos de 17 sistemas do organismo. Os achados indicam que aqueles que dormem entre 6,4h e 7,8h apresentam um envelhecimento menos acelerado, enquanto os que dormem menos de 6h ou mais de 8h tendem a envelhecer mais rapidamente.
