Parlamentares que se opõem ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva intensificaram suas articulações no Congresso Nacional com o objetivo de enfraquecer os projetos que visam o fim da escala 6×1. Essa proposta deve ser levada ao plenário da Câmara dos Deputados até o final de maio, e a oposição busca ampliar o debate sobre as exceções para categorias profissionais, além de questionar a viabilidade de se permitir duas folgas consecutivas em setores produtivos.
A deputada Adriana Ventura, do Novo-SP, destacou que algumas profissões, como a enfermagem, possuem características específicas que dificultariam a implementação de uma regra única para a jornada de trabalho. Em reunião com o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, do Republicanos-PB, Ventura solicitou que as audiências sobre o tema incluíssem representantes do setor produtivo. Ela defende que esses representantes possam apresentar as contrapartidas relacionadas ao impacto da nova medida sobre empresários e a indústria.
Por sua vez, o relator da comissão especial que analisa o projeto, deputado Leo Prates, do Republicanos-BA, manifestou suas dúvidas sobre a obrigatoriedade de dois dias de descanso semanal consecutivos. Prates afirmou: “Eu acho que os dois dias devem ser garantidos, mas os consecutivos, eu ainda tenho, e eu quero dizer com muita clareza, muitas dúvidas em relação ao arranjo produtivo.”
Além disso, membros do Partido Liberal (PL) defendem a adoção de um regime baseado na contagem de horas trabalhadas, sem considerar a questão das folgas consecutivas.
A oposição avalia que, caso a proposta fosse levada a votação hoje, ela teria grandes chances de ser aprovada na Câmara. Nos bastidores, alguns deputados reconhecem que votar contra uma proposta considerada popular, como o fim da escala 6×1, poderia resultar em desgaste político, especialmente em um ano eleitoral. Por essa razão, o foco tem sido enfraquecer o texto antes de sua votação.
Em contrapartida, integrantes do governo alertam que a possibilidade de negociações específicas por categoria poderia prejudicar trabalhadores de setores mais vulneráveis em termos sindicais. Assim, ressaltam a importância de estabelecer uma regra geral que abranja todas as categorias profissionais.
