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Estudo revela dificuldades de escolas públicas no combate a violências como bullying e racismo

Uma pesquisa indica que gestores de escolas públicas enfrentam sérios desafios para lidar com violências como bullying, racismo e capacitismo. 71,7% dos entrevistados consideram difícil discutir esses temas, o que afeta o ambiente escolar.
Escola - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Escola - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Um levantamento realizado pela Fundação Carlos Chagas em parceria com o Ministério da Educação revelou que a maioria dos gestores de escolas públicas no Brasil encontra dificuldades significativas para abordar questões relacionadas à violência no ambiente escolar. O estudo, divulgado na quarta-feira (6), mostra que 71,7% dos gestores afirmam ter dificuldades em promover diálogos sobre bullying, racismo e outras formas de violência.

A pesquisa, que ouviu 136 gestores de 105 escolas públicas, sendo 59 municipais e 46 estaduais, aponta que um dos principais obstáculos é a naturalização de comportamentos agressivos nas escolas. Adriano Moro, coordenador do estudo, observou que muitas vezes as agressões são vistas como “brincadeiras”, minimizando a gravidade das situações e dificultando intervenções efetivas por parte das instituições de ensino.

Moro também destacou que o uso genérico da palavra bullying pode encobrir casos específicos de racismo, xenofobia, violência de gênero e preconceito contra pessoas com deficiência. Essa generalização torna ainda mais desafiador o combate a essas questões, que requerem abordagens específicas e adequadas.

Além disso, o estudo revelou outros problemas enfrentados pelos gestores. 67,9% relataram dificuldades na aproximação entre escolas e comunidades familiares. A pesquisa também identificou que 64,1% dos gestores apontaram problemas nos relacionamentos entre os estudantes, enquanto 60,3% mencionaram dificuldades na relação entre alunos e professores, o que pode impactar negativamente o clima escolar.

Adriano Moro observou que a sobrecarga de trabalho dos profissionais da educação contribui para a dificuldade em desenvolver ações preventivas. A gestão escolar frequentemente lida com múltiplas urgências, levando as equipes a priorizarem a resolução de problemas imediatos em detrimento de estratégias de prevenção planejadas para combater a violência.

O estudo também sugere uma relação direta entre um clima escolar positivo e o desempenho pedagógico dos alunos. Ambientes acolhedores e respeitosos são fundamentais para favorecer a aprendizagem e o desenvolvimento dos estudantes.