Romeu Zema, pré-candidato à presidência da República pelo Partido Novo, manifestou em uma entrevista a intenção de alterar a legislação atual que regulamenta o trabalho de jovens No Brasil. Atualmente, a lei estabelece que a idade mínima para o trabalho é de 16 anos, podendo ser reduzida para 14 anos para os jovens aprendizes. Durante suas declarações, Zema chegou a utilizar o termo "criança" ao se referir à proposta, mas posteriormente passou a usar "adolescente" em um vídeo de esclarecimento.
No podcast Inteligência Ltda, Zema compartilhou suas memórias de infância, afirmando que, aos 14 anos, era possível obter a carteira de trabalho. Ele criticou a percepção de que jovens não devem trabalhar, defendendo que, embora a educação seja fundamental, os jovens podem desempenhar atividades simples que os ajudem a desenvolver habilidades práticas. "A esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança", declarou, citando exemplos de trabalho infantil em países como os Estados Unidos.
Após o podcast, a assessoria do pré-candidato divulgou uma nova declaração, onde Zema enfatizou a necessidade de criar "oportunidades de trabalho" para adolescentes, respeitando a proteção e sem comprometer a escolarização. Segundo ele, o trabalho digno é essencial para a formação de caráter e disciplina, além de ser uma forma de prevenir que os jovens se envolvam com o crime organizado.
A proposta de Zema, no entanto, encontrou resistência. Cláudia Costin, ex-diretora global de educação do Banco Mundial, expressou preocupação com a ideia de permitir que crianças ou adolescentes trabalhem. Ela alertou que tal proposta poderia prejudicar o desenvolvimento infantil e contraria as diretrizes da Organização Internacional do Trabalho sobre trabalho infantil, que terá um novo marco em 2024. Costin destacou que desde 2016, o Brasil registrou uma redução de 21,4% no número de crianças em situação de trabalho.
Além de suas declarações sobre trabalho juvenil, Zema também defende a redução da maioridade penal, sugerindo que a idade de responsabilidade criminal seja alterada para 16 anos ou menos. Essa posição está alinhada com seu plano de governo, que foi divulgado em um site vinculado ao Partido Novo. Apesar de suas propostas polêmicas, o ex-governador de Minas Gerais enfrenta desafios nas pesquisas eleitorais, onde atualmente aparece com 3,1% das intenções de voto, empatado em quarto lugar com Ronaldo Caiado (PSD), que possui 3,3%. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com 46,6%, seguido por Flávio Bolsonaro (PL) com 39,7% e Renan Santos (Missão) com 5,3%.

