Mato Grosso do Sul chega à iminente retomada do programa federal de renegociação de dívidas com um cenário preocupante de quase 1,3 milhão de consumidores inadimplentes, o equivalente a mais da metade da população adulta do Estado.
O anúncio do Desenrola 2.0, previsto para segunda-feira, ocorre em um momento em que o endividamento avança e passa a afetar não apenas o consumo, mas também a dinâmica da economia local.
Os números mostram a dimensão do problema. Os sul-mato-grossenses acumulam 5,93 milhões de dívidas, que somam R$ 10,55 bilhões. Em média, cada inadimplente deve R$ 8.169,62, enquanto o valor médio por dívida é de R$ 1.779,36, indicando tanto a profundidade quanto a pulverização do endividamento.
O problema se espalha pelas principais cidades e atinge diferentes perfis de consumidores. Em Campo Grande, maior centro econômico do Estado, são 498,8 mil inadimplentes, com dívidas que somam R$ 4,75 bilhões. Dourados aparece na sequência, com 107,7 mil pessoas negativadas e estoque de R$ 913,5 milhões em débitos. Três Lagoas e Corumbá também registram volumes relevantes, evidenciando que o endividamento é um problema de proporções.
O programa de renegociação de dívidas deve atingir inicialmente famílias com renda até cinco salários mínimos, com possibilidade de ampliação posterior para microempreendedores individuais (MEIs) e pequenas empresas. O foco está em dívidas de maior custo, como cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais, especialmente aquelas com atraso entre 90 dias e 720 dias.
As condições de renegociação incluem descontos que podem variar de 40% a 90% sobre o valor total das dívidas, além de juros limitados a cerca de 1,99% ao mês. O modelo também prevê carência inicial e um período de pagamento facilitado, o que deve favorecer a adesão.

