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A Crise de Credibilidade do STF e Suas Consequências

A reputação do STF tem sido questionada, resultando em uma percepção negativa entre a população. O texto discute a relação da Corte com a sociedade e os desafios enfrentados na era das redes sociais.
Percival Puggina - Foto: Divulgação
Percival Puggina - Foto: Divulgação

Alguns ministros do STF têm atribuído a queda na estima pública da Corte às redes sociais, que, segundo eles, criariam um ambiente caótico para as opiniões. No entanto, essa percepção ignora uma realidade mais complexa: a maioria dos usuários dessas plataformas não é composta por profissionais da comunicação, o que dificulta a criação de um debate qualificado. A influência dos grandes veículos de comunicação ainda se revela mais impactante do que as críticas vindas das redes sociais.

A questão central enfrentada pelo STF é mais profunda. A atual composição da Corte tem consumido a reputação e a confiança que foram cuidadosamente construídas ao longo de décadas por ministros respeitados. No Rio Grande do Sul, figuras como Carlos Thompson Flores, João Leitão de Abreu, José Néri da Silveira, Paulo Brossard e Eros Grau são lembrados não apenas pelo conhecimento jurídico, mas também pela integridade e virtudes que inspiravam respeito.

Eros Grau, por exemplo, viveu experiências marcantes por sua atuação política, tendo sido preso e torturado durante a ditadura. Mesmo assim, ao chegar ao STF, não buscou impor suas convicções pessoais de maneira autoritária, ao contrário do que tem sido observado por alguns de seus sucessores. Essa postura de respeito à Constituição e às leis foi uma característica comum entre os ministros do passado.

Os antigos ministros não buscavam o protagonismo nem se viam como figuras divinas ou semi-divinas. Eram discretos em suas vidas pessoais, muitas vezes passando despercebidos em locais públicos, sem a necessidade de segurança ou ostentação. A Constituição de 1988 ampliou os poderes da Corte, mas isso não deve ser um pretexto para que o STF inspire medo como forma de obter respeito.

A transformação do ambiente político e jurídico nos últimos anos, marcada pelo neoconstitucionalismo e ativismo judicial, trouxe desafios significativos. Contudo, a perda de credibilidade da Corte não pode ser justificada por essas mudanças. O STF precisa reencontrar seu espaço de respeito sem recorrer à intimidação.