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Grupo é desarticulado após esquema de desvio de verbas para remédios de câncer em MS

Uma investigação do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado revelou um esquema de desvio de até 98% dos recursos destinados a medicamentos para pacientes oncológicos em Mato Grosso do Sul. A operação resultou em prisões e apreensões em três estados.
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Uma operação realizada pelo Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) desmantelou uma organização criminosa que atuava em Mato Grosso do Sul, desviando recursos públicos destinados ao tratamento de câncer. As investigações iniciaram em junho de 2025, após o Núcleo de Atenção à Saúde da Defensoria Pública identificar anomalias em processos relacionados a medicamentos de alto custo.

O inquérito revelou que o grupo cobrava taxas de serviço e assessoria que variavam entre 70% e 98% dos valores liberados judicialmente. A estrutura criminosa era dividida em quatro núcleos operacionais, cada um com funções específicas para garantir o desvio de verbas. No núcleo político-administrativo, indivíduos de 37 e 39 anos eram responsáveis por direcionar orçamentos e prestar apoio a órgãos públicos.

No núcleo jurídico, um homem de 27 anos inseria as empresas do grupo nas ações judiciais, enquanto no setor empresarial, dois homens de 51 e 54 anos, vinculados a farmácias em Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, recebiam os depósitos judiciais. O núcleo logístico-financeiro, por sua vez, contava com sete integrantes, que gerenciavam a importação e movimentação dos recursos.

As investigações indicam que as empresas importavam medicamentos em nome dos pacientes, utilizando seus CPFs, a preços muito inferiores aos que eram bloqueados pela Justiça. A diferença entre o valor real dos medicamentos e o montante depositado pelo Estado era apropriada pelos membros da organização. Além disso, muitos produtos entregues não possuíam registro na Anvisa, número de lote ou rastreabilidade, apresentando inconsistências em relação aos documentos judiciais.

A operação culminou na execução de cinco mandados de prisão temporária e 21 mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Os detidos, com idades de 37, 39, 51, 27 e 54 anos, responderão por organização criminosa e falsidade documental. O material apreendido está sendo analisado para determinar a extensão total do prejuízo financeiro e a possível participação de outros indivíduos no esquema de desvio de recursos da saúde pública.