Acordo de US$ 2,8 bilhões transforma mineradora brasileira em peça-chave no mercado de terras

A USA Rare Earth adquiriu a Serra Verde, no Brasil, em um negócio que poderá fortalecer o fornecimento de terras raras fora da China. O contrato inclui um compromisso de 15 anos para a venda de elementos essenciais à tecnologia moderna.
Mineradora Serra Verde - Foto: Divulgação
Mineradora Serra Verde - Foto: Divulgação

A mineradora USA Rare Earth anunciou na última segunda-feira (20) a aquisição da Serra Verde, uma mineradora brasileira localizada em Goiás, em um negócio avaliado em aproximadamente US$ 2,8 bilhões. Esta transação é considerada estratégica, pois pode alterar significativamente o panorama global de fornecimento de terras raras, insumos essenciais para a produção de tecnologias como veículos elétricos e turbinas eólicas.

O acordo contempla a compra de 100% das ações da Serra Verde, que possui a mina e a planta de processamento chamada Pela Ema. O pagamento será feito com US$ 300 milhões em dinheiro e com a emissão de 126,849 milhões de novas ações da USA Rare Earth, totalizando o valor de aquisição em torno de US$ 2,8 bilhões. O fechamento da operação está previsto para ocorrer no terceiro trimestre de 2026, dependendo da aprovação regulatória e de outras condições habituais do mercado.

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A Serra Verde, que é controlada por investidores privados e fundos como Denham Capital, Vision Blue Resources e Energy & Minerals Group, é reconhecida por ser o único produtor em larga escala fora da Ásia capaz de fornecer os quatro principais elementos magnéticos de terras raras. A USA Rare Earth prevê que, até 2027, a Serra Verde será responsável por mais de 50% da oferta de terras raras pesadas fora da China, o que torna a operação ainda mais relevante em um contexto de crescente dependência dos EUA em relação a fornecedores fora da China.

A empresa americana destaca que conta com apoio do governo dos Estados Unidos, e o acordo inclui um contrato de 15 anos para a venda de 100% da produção inicial de elementos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, com pisos de preço estabelecidos, o que minimiza os riscos associados às flutuações do mercado. Esses minerais são cruciais para a fabricação de ímãs permanentes utilizados em setores considerados estratégicos, como defesa, semicondutores e mobilidade elétrica.

Além disso, a USA Rare Earth está em negociações não vinculantes com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos para obter acesso a até US$ 1,6 bilhão em apoio financeiro. Deste total, até US$ 277 milhões seriam recursos federais diretos, enquanto cerca de US$ 1,3 bilhão poderiam ser disponibilizados na forma de empréstimos sêniores garantidos. Embora não signifique a liberação imediata dos recursos, isso indica que o governo americano considera a empresa como um elemento estratégico na formação de uma cadeia de suprimentos de terras raras e metais fora da China.

A aquisição da Serra Verde enfatiza a importância dos recursos minerais brasileiros no cenário global, mas também levanta questões sobre o nível de agregação de valor que o Brasil consegue alcançar, uma vez que as etapas industriais mais avançadas tendem a ocorrer em outros países. A Serra Verde iniciou a produção comercial em 2024 e já atraiu investimentos superiores a US$ 1,1 bilhão, com a expectativa de atingir sua capacidade plena até 2027, além de possibilidades de expansão nos anos seguintes.