Justiça suspende fertirrigação em fazenda no MS por suspeita de contaminação tóxica

A Justiça de MS proibiu a fertirrigação na Fazenda Palmeira após suspeitas de uso de material tóxico. O MPMS aponta riscos à saúde e ao meio ambiente.
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Um juiz acolheu uma ação do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e decidiu suspender a fertirrigação na Fazenda Palmeira. A medida foi tomada diante de indícios de que o material utilizado na prática poderia conter substâncias tóxicas originárias de curtumes e unidades de processamento animal, com potencial de contaminar o solo e os lençóis freáticos.

A propriedade, pertencente à família Metello, está situada entre Campo Grande e Terenos. A empresa Qually Peles, de Jaime Valler, é suspeita de realizar o despejo irregular. Estudos indicam a presença de cromo hexavalente, um resíduo perigoso, sendo que o cromo trivalente, permitido em certos limites, foi encontrado em níveis até 50 vezes acima do permitido no projeto da Qually para a fertirrigação, conforme análise da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

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Além de proibir a fertirrigação, a decisão judicial determina que os proprietários não façam uso da terra sem a devida autorização ambiental. O descumprimento pode acarretar multa diária de R$ 5 mil, com limite total de R$ 500 mil. O MPMS acredita que essa prática possa estar ocorrendo em outras fazendas, como Grama Pontal, Pontezinha e Santa Elisa, as quais serão investigadas.

A Justiça também avaliará a possível contaminação do solo e o impacto sobre a água. A defesa da família Metello apresentou um estudo ambiental que exclui a presença de cromo hexavalente, mas admite a contaminação por cromo trivalente em uma das cinco áreas analisadas. Os proprietários se disseram dispostos a implementar medidas de descontaminação.

Arlindo Muniz, advogado da Qually Peles e Jayme Valler, questionou a validade dos relatórios apresentados pelo MPMS, alegando que os documentos foram arquivados irregularmente e que autorizações ambientais estavam pendentes.

A empresa JBS, que opera no mesmo polo industrial e utiliza a mesma rede de drenagem que a Qually, também foi mencionada no caso. O MPMS sugere que um rompimento de tubulação e a poluição do Córrego Imbirussu em Campo Grande podem estar relacionados a essa rede compartilhada. O córrego, que atravessa 11 bairros da cidade, foi classificado como de qualidade ruim em análise do Programa Córrego Limpo, que identificou a presença de fósforo e bactérias indicadoras de contaminação. O pedido de defesa da JBS para ser excluída do processo foi negado pela Justiça.