Ministério das Relações Exteriores de Taipé classifica postura chinesa como 'problemática' em meio a tensões crescentes na região.
Taiwan reitera que apenas seu governo democraticamente eleito representa seus 23 milhões de habitantes, refutando a reivindicação de soberania da China e condenando a interferência.
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O Ministério das Relações Exteriores de Taiwan declarou nesta terça-feira (9) que rejeita veementemente a reivindicação de soberania da China sobre seu território, classificando a postura de Pequim como “problemática”. A declaração surge em um momento de crescentes tensões geopolíticas na região, impulsionadas pela recente apresentação de uma nova estratégia de segurança por parte dos Estados Unidos, visando fortalecer sua capacidade militar para dissuadir conflitos com a China em relação a Taiwan.
A resposta de Pequim à estratégia norte-americana foi imediata, com a China prometendo defender sua soberania e alertando contra qualquer “interferência externa”. Contudo, Taipé mantém-se firme.
Hsiao Kuang-Wei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Taiwan, enfatizou durante uma coletiva de imprensa em Taipé que “somente o governo democraticamente eleito de Taiwan pode representar os 23 milhões de habitantes de Taiwan na comunidade internacional e em fóruns multilaterais. A China não tem o direito de interferir”.
A questão da soberania é central para o impasse. Quando questionado sobre a recente declaração do ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, de que a República Popular da China seria o estado sucessor da República da China e, portanto, “naturalmente” gozava de soberania sobre Taiwan, Hsiao respondeu categoricamente que Taiwan “absolutamente não fazia parte da República Popular da China”. Esta contraposição direta sublinha a profunda divergência entre as duas partes, com Taiwan defendendo sua autonomia e identidade distinta.
Intensificação das Tensões Regionais
As preocupações com a soberania de Taiwan não são isoladas e se inserem em um contexto de maior vigilância regional. Recentemente, Taiwan proibiu um aplicativo chinês por um ano, citando preocupações com fraudes e segurança de dados. Além disso, Taiwan e Japão têm manifestado em conjunto preocupação com as crescentes atividades militares da China no Mar da China Oriental e no Estreito de Taiwan, indicando uma percepção compartilhada de ameaça regional. A presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, já havia afirmado que não há espaço para concessões sobre a ilha, reforçando a linha dura de Taipé.
Para Pequim, a ilha de Taiwan, governada democraticamente, é vista como uma província rebelde a ser reunificada com o continente, mesmo que por meio da força, caso necessário. A China nunca renunciou ao uso da força para assumir o controle da ilha, uma postura que continua a ser uma fonte de instabilidade e preocupação internacional.
A insistência de Taiwan em sua independência e a recusa em aceitar a soberania chinesa garantem que a questão permaneça um dos pontos mais sensíveis e potencialmente voláteis da geopolítica global.